Ir para o conteúdo

M&AInternacional · Mastercard

Mastercard estuda vender sistema que move £4,2 tri no UK

Fatia de 51% na Vocalink, dona da tecnologia do Bacs e do Faster Payments, pode valer £400 mi e voltar aos bancos britânicos que a venderam em 2016.

por

· 3 min

Atualizado em

A Mastercard estuda vender o controle da Vocalink, empresa cuja tecnologia sustenta o Faster Payments, sistema britânico de transferências em tempo real que processou £4,2 trilhões em 2024. Uma fatia de 51% poderia valer cerca de £400 milhões e devolveria a infraestrutura aos bancos britânicos que a venderam em 2016.

O que a tecnologia da Vocalink sustenta no Reino Unido

Sistema Escala
Bacs (débito direto) Pagamento de 90% dos salários britânicos
Faster Payments (tempo real) £4,2 trilhões transferidos em 2024
Link (rede de saques) 47 mil caixas eletrônicos

Sistemas sustentados pela tecnologia da Vocalink. Fonte: Finextra

Mastercard pagou £700 milhões pela Vocalink em 2016

A Mastercard comprou 92,4% da Vocalink por cerca de £700 milhões (aproximadamente US$ 920 milhões) em 2016, com pagamento adicional de até £169 milhões condicionado a metas de desempenho. Os vendedores foram os bancos britânicos que criaram e controlavam a empresa, e que agora aparecem do outro lado da mesa como possíveis compradores.

Segundo a Finextra, que repercute apuração do Financial Times, as conversas sobre a venda da participação estão em estágio muito preliminar dentro da Mastercard e nenhuma oferta firme foi feita. Um dos compradores potenciais seria a DeliveryCo, entidade recém-criada e apoiada pelos principais bancos e empresas de pagamento do Reino Unido para conduzir a contratação e o financiamento da próxima geração do sistema de pagamentos de varejo do país. Como a DeliveryCo ainda estrutura seu financiamento e sua governança, qualquer negócio seria improvável antes de 2027.

Banco central britânico desenha alternativa sem cartões

O pano de fundo é geopolítico. A perspectiva de venda surge, segundo a Finextra, em meio a “preocupação crescente com o domínio dos cartões de pagamento americanos em mercados domésticos europeus” em um momento de tensão política elevada. O Banco da Inglaterra trabalha no desenvolvimento de uma nova plataforma nacional de pagamentos, baseada em transferências entre contas bancárias e em depósitos tokenizados, em vez de cartões de débito ou crédito. A Vocalink teria capacidade técnica para disputar o contrato, mas o banco central vê com reserva o controle americano da empresa, ainda de acordo com a Finextra.

O movimento se soma a uma sequência de passos da Europa para reduzir a dependência de infraestruturas americanas de pagamento. A União Europeia impôs pagamentos instantâneos aos bancos até 2027, e o Wero, carteira criada por bancos do continente, segue ganhando adesões: os maiores bancos da Áustria aderiram ao rival europeu da Visa em junho. No Reino Unido, o mesmo banco central que desenha a nova plataforma retirou recentemente o teto pessoal para stablecoins, outro sinal de que a arquitetura monetária britânica está em revisão.

O que observar

Se a recompra avançar, o teste será operacional: a entidade compradora precisa fechar financiamento e governança a tempo de disputar o contrato da nova plataforma nacional de pagamentos, e qualquer transação dificilmente sai antes de 2027. Vale acompanhar se outros países europeus replicam o movimento de devolver infraestruturas críticas de pagamento a donos locais, e como as bandeiras americanas reagem: se a tendência se confirmar, ativos de infraestrutura conta-a-conta fora dos Estados Unidos podem passar de vitrine de diversificação a fonte de atrito regulatório. A pergunta que fica é quanto os bancos locais estão dispostos a pagar para reassumir um ativo que eles mesmos venderam há uma década.

Fontes: FinextraInvesting.comMastercard

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasNotícias
Ver a editoria

Mais artigos de Notícias

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.