A Mastercard lançou o Wallet Services, um kit que deixa bancos e fintechs embutirem pagamento por aproximação no próprio aplicativo, no iPhone e no Android. A novidade se apoia na abertura do NFC do iPhone feita pela Apple, que já vale no Brasil, e abre caminho para carteiras que hoje dependem de Apple Pay e Google Pay.
O que o Mastercard Wallet Services entrega
| Recurso |
O que muda |
| SDKs para iOS e Android |
Uma integração única para as duas plataformas |
| Secure Element applet |
Aproximação (NFC) dentro do próprio app |
| Dispensa certificações EMVCo separadas |
Menos etapas técnicas para colocar a carteira no ar |
Recursos do Mastercard Wallet Services. Fonte: Finextra
Como a Apple destravou o pagamento no iPhone
Durante anos, o Apple Pay foi o único serviço com acesso à tecnologia de aproximação embarcada no iPhone. O Android sempre teve uma abordagem mais aberta, o que obrigava bancos e fintechs a adaptar suas carteiras às exigências de cada sistema. Em 2024, sob pressão de reguladores em várias partes do mundo, a Apple concordou em abrir esse acesso.
A partir do iOS 18.1, desenvolvedores passaram a poder oferecer transações por aproximação usando o chip seguro do aparelho dentro dos próprios apps. O recurso ficou disponível em sete países já na primeira leva, entre eles o Brasil. No país, o pagamento por aproximação é a modalidade que mais cresce, e a chegada de opções nativas dentro de cada app amplia a disputa que já viu a Samsung levar o Pix por aproximação ao Brasil.
O que o Mastercard oferece a bancos e fintechs
O Wallet Services reúne kits de desenvolvimento e um applet de Secure Element que habilitam pagamento por aproximação em iOS e Android sem que a empresa precise gerenciar integrações e certificações EMVCo separadas para cada plataforma. Na prática, um banco ou uma fintech pode oferecer a função de tocar o celular na maquininha dentro do próprio aplicativo, ao lado de pontos, descontos e recompensas.
“O acesso ampliado às plataformas dá a bancos e fintechs novas oportunidades de inovar”, disse Pablo Fourez, chief digital officer da Mastercard, em tradução livre. Ele ponderou que a adoção de carteiras alternativas “vai levar tempo”. A empresa afirma já trabalhar com bancos parceiros no desenvolvimento de recursos que devem chegar a consumidores em mercados selecionados até o fim de 2026. A camada de fidelidade dentro da carteira é justamente a aposta de players que, como a Amex embarcou resgate de pontos no checkout do Apple Pay, tentam manter o cliente engajado no ato do pagamento.
O que observar
O ponto a acompanhar é de adoção. Emissores e fintechs de pagamento passam a ter a opção de trazer a experiência de aproximação, e a camada de pontos e recompensas que costuma vir junto, para dentro do próprio app, em vez de depender das carteiras dominantes de smartphone. A pergunta é se o consumidor troca uma carteira já instalada e habituada pela carteira de um banco, num movimento que o próprio setor admite ser lento.
No operacional, o custo não é trivial: acessar o chip do iPhone exige acordo comercial e taxas com a dona do sistema, além de construir e manter a carteira. Vale observar se, num mercado onde o Pix por aproximação já avança, os emissores brasileiros vão priorizar carteira própria ou seguir apoiados na infraestrutura de terceiros.
Fontes: Finextra • Apple • PYMNTS • Let’s Money • Let’s Money