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Conheça o país que quer virar o hub de fintech da África

Maurício lançou uma estratégia nacional de fintech de cinco anos para virar o hub de finanças digitais da África, apoiada por US$ 80 bilhões em fundos.

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Atualizado em

Maurício, ilha no Oceano Índico que virou porta de entrada para investimentos na África, lançou uma estratégia nacional de fintech de cinco anos. O plano 2026-2030 quer transformar o país no hub de finanças digitais do continente, com licenciamento mais rápido, mais capacitação e infraestrutura digital reforçada.

Maurício em números

Indicador Valor
Estratégia nacional Fintech 2026-2030
Capacitação (meta anual) +5.000 profissionais
Ativos sob gestão US$ 80 bilhões
Fundos de investimento +1.000

Dados da estratégia nacional de fintech e do setor financeiro de Maurício. Fonte: Finextra

Seis frentes para virar hub

A estratégia foi desenvolvida pelo Ministério de Serviços Financeiros e Planejamento Econômico em conjunto com a Comissão Econômica das Nações Unidas para a África (ECA). Ela se organiza em seis frentes: regulação e inovação; infraestrutura digital e cibersegurança; desenvolvimento de talentos; crescimento de mercado; cooperação internacional; e proteção ao consumidor.

Entre os objetivos estão reduzir o tempo de aprovação de licenças, ampliar o onboarding digital e treinar mais de 5.000 pessoas por ano em habilidades especializadas de fintech. Segundo o governo, o plano responde ao avanço dos pagamentos digitais, dos ativos digitais e dos serviços financeiros transfronteiriços. “A estratégia é uma demonstração poderosa de como países africanos podem moldar o próprio futuro das finanças digitais, ancorados em inovação, inclusão e boa governança” (em tradução livre), disse Eunice Kamwendo, diretora do escritório sub-regional da ECA para a África Austral.

Por que Maurício

Na última década, a ilha se tornou um dos domicílios mais ativos da África para gestão de ativos e private equity. A localização no Oceano Índico, na costa leste do continente, fez de Maurício uma ponte para o mercado africano, sobretudo para investidores baseados na Índia. Hoje, o país reúne mais de US$ 80 bilhões em ativos sob gestão e mais de 1.000 fundos de investimento.

O movimento acompanha um continente onde as finanças digitais avançam rápido. As carteiras móveis já redesenharam a inclusão financeira em outros pontos da África, e grandes bandeiras vêm ampliando parcerias de pagamento pelo continente. O governo apresentou o plano como parte da ambição de posicionar Maurício como plataforma de finanças digitais confiável da região.

O que observar

O teste de estratégias como essa costuma estar menos no anúncio e mais na execução. Vale acompanhar se licenciamento mais rápido e onboarding digital de fato atraem gestoras e empresas para domiciliar operações em jurisdições de menor porte, em vez de concentrá-las nos centros financeiros tradicionais. Outra frente a observar é o talento: formar milhares de profissionais por ano só vira vantagem competitiva se o mercado local conseguir retê-los. E há a tensão de sempre entre abrir portas para capital e ativos digitais e manter a proteção ao consumidor, ponto em que reguladores de mercados emergentes costumam ser cobrados primeiro.

Fontes: FinextraComissão Econômica da ONU para a ÁfricaLawyard

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