A USDT, maior stablecoin de dólar do mercado, entrou pela primeira vez no top 5 de criptoativos mais negociados por número de clientes do Mercado Bitcoin, na terceira posição, atrás apenas de bitcoin e ethereum. Em toda a história da plataforma, nenhuma moeda atrelada a uma divisa fiduciária havia aparecido entre as cinco mais negociadas por esse critério. A corretora recebeu em julho de 2026 um aporte de R$ 100 milhões da Tether, emissora da USDT.
O dado não é uma virada repentina. No ranking por volume financeiro, a representatividade das stablecoins já crescia desde 2024, quando a USDT alcançou o top 3 nesse critério. Em 2025, a moeda pareada ao dólar já havia ultrapassado o ethereum em volume negociado, dois anos antes de aparecer entre os ativos mais usados pelo cliente médio.
O avanço das stablecoins na plataforma
Ativo
Posição e peso
USDT, por número de clientes
3º em 2026, primeira vez no top 5
USDT e USDC, por volume
2º e 3º, cerca de R$ 50 cada por R$ 100 em bitcoin
BRL1, por volume
5º, R$ 11 por R$ 100 em bitcoin
BRL1, por número de clientes
fora do top 5
Bitcoin
líder nos dois critérios nos seis anos analisados
Recorte de 2020 a 24 de julho de 2026. Fonte: Mercado Bitcoin
Stablecoins em dólar empatam com o bitcoin em volume
Entre janeiro e julho de 2026, para cada R$ 100 negociados em bitcoin na plataforma, aproximadamente R$ 50 foram negociados em USDT e R$ 50 em USDC, um volume combinado equivalente ao do próprio bitcoin. Juntas, as duas ocupam a segunda e a terceira posições entre os ativos mais negociados por volume no período.
“O que os dados mostram é que o movimento em direção às stablecoins não começou agora. Ele começou por clientes institucionais, que costumam antecipar tendências, e só no primeiro semestre deste ano passou a se refletir também no comportamento do investidor de varejo. É um sinal de que o dólar digital está cada vez mais popular no Brasil e, muitas vezes, acaba sendo uma porta de entrada importante para o mercado cripto”, afirma Fabrício Tota, VP de Negócios Cripto do Mercado Bitcoin.
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A stablecoin de real começa a aparecer
O movimento não se limita ao dólar. Em 2026, a BRL1, pareada ao real, entrou pela primeira vez no top 5 por volume financeiro, na quinta posição, com um volume equivalente a R$ 11 para cada R$ 100 negociados em bitcoin. O ativo ainda não aparece no top 5 por número de clientes, o que indica adoção em estágio inicial, concentrada em operações de maior valor, o mesmo padrão que a USDT registrou em 2024. O tema também dominou as discussões de tokenização na Febraban Tech, em agosto de 2026.
Memecoin junta muita gente e pouco dinheiro
A Shiba Inu ilustra o padrão oposto. Chegou à terceira posição no ranking por clientes em 2022 e 2023, mas nunca teve peso equivalente em volume financeiro, sinal de que a maioria das operações envolvia valores pequenos. A partir de 2025 saiu do top 5 por clientes, e a TRUMP, que ocupou esse espaço em seguida, também não se sustentou e não aparece no ranking de 2026. Segundo levantamento do setor citado pela corretora, as principais plataformas do mundo reduziram em 79% as novas listagens de memecoins, de 196 no fim de 2024 para 41 no segundo trimestre de 2026.
“Memecoins têm um padrão de comportamento bem definido: atraem um grande número de investidores por ciclo, geralmente com ticket baixo, e perdem espaço rapidamente quando a atenção da comunidade se dispersa. É um contraste direto com o que vemos nas stablecoins, cujo crescimento é mais silencioso, mas também mais duradouro”, explica Tota.
O que observar
O levantamento interessa a quem acompanha adoção de cripto no varejo, porque separa duas medidas que costumam ser lidas juntas: quantas pessoas compram um ativo e quanto dinheiro passa por ele. Os pontos a acompanhar são a distância entre o ranking por clientes e o por volume, que hoje antecipa tendência em cerca de dois anos, e se a stablecoin de real repete a trajetória da USDT ou fica restrita a operações de maior valor.