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mBridge ameaça domínio do Swift com CBDC cross-border

China prepara lançamento comercial do mBridge, CBDC cross-border com fees pela metade do Swift e US$ 69 bi em pilotos. Brasil entra como observer.

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· 3 min

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alexdov / Shutterstock.com

A plataforma de pagamentos cross-border baseada em moedas digitais de bancos centrais (CBDC) que Pequim, Hong Kong, Tailândia, Emirados Árabes e Arábia Saudita vêm preparando desde 2021 se aproxima da operação comercial. O mBridge promete taxas pela metade do Swift e já movimentou 470 bilhões de yuans (cerca de US$ 69 bilhões em pilotos), segundo o Financial Times, com 26 instituições financeiras assinadas.

A entrada em operação coloca em rota de colisão um sistema que hoje canaliza a maior parte dos pagamentos internacionais. O desenho do mBridge permite que dois bancos centrais liquidem entre si na própria moeda digital, sem passar por dólar nem por banco correspondente, inscrevendo-se no debate global sobre o futuro das moedas digitais, com CBDCs disputando espaço com stablecoins privadas. “Dá pra chamar isso de cinturão e rota digital”, afirmou Tom Keatinge, do centro de finanças e segurança do Royal United Services Institute, ao Financial Times (em tradução livre de “You could say it’s a digital currency belt and road”).

O movimento ganha contorno especial visto do Brasil. Em novembro de 2025, o Banco Central encerrou a plataforma DLT do Drex após o TCU apontar inconsistências no desenho de blockchain e mudou para uma nova arquitetura agnóstica em 2026, sem componentes descentralizados. Em paralelo, o BofA prepara um corredor cross-border em tempo real entre EUA e seis países da Ásia, mas Pix segue fora, sintoma de que o sistema brasileiro vem aparecendo nas iniciativas globais mais como ponto de pesquisa do que como vértice operacional.

Os bancos centrais por trás do mBridge

Banco Central Jurisdição
People’s Bank of China China
Hong Kong Monetary Authority Hong Kong (RAE)
Bank of Thailand Tailândia
Central Bank of UAE Emirados Árabes Unidos
Saudi Central Bank Arábia Saudita (ingresso em 2024)
Banco Central do Brasil Observador

Bancos centrais fundadores e observadores do Project mBridge. Governança transferida pelo BIS aos parceiros em outubro de 2024. Fonte: BIS Innovation Hub

Brasil entra como observador

O Brasil tem laços indiretos com a rede. O Banco Central consta como membro observador do projeto no Innovation Hub do BIS, que transferiu a governança aos bancos centrais participantes em outubro de 2024. No mesmo mês, BCB e Hong Kong Monetary Authority firmaram acordo para experimentos de tokenização cross-border, conectando o ambiente Drex à plataforma Ensemble. Em novembro de 2025, Banco Inter, Chainlink, BCB e HKMA finalizaram uma liquidação piloto de trade finance entre as duas redes.

O contraponto regulatório ronda a operação. O projeto enfrentou escrutínio público sobre se ofereceria caminhos para contornar sanções dolarizadas; o Financial Times noticiou que a transferência de governança em 2024 teria ocorrido sob pressão de Washington, o que o BIS negou. PBOC e BIS sustentam que o mBridge cumpre as regras antilavagem do GAFI. Não há data oficial de lançamento divulgada e a entidade que vai operar a plataforma deve ficar em Hong Kong.

O que observar

Em série histórica do Let’s Money sobre iniciativas cross-border nos últimos doze meses, as redes que ganharam tração combinaram pricing competitivo com governança regulatória clara nas duas pontas. Vale acompanhar se o preço prometido por essa rede multi-CBDC, em torno da metade do custo Swift, se sustenta quando o volume crescer e quando começarem a operar sob jurisdições regulatórias distintas. O desenho original conecta bancos centrais entre si, e ainda não está claro qual será o papel dos bancos comerciais, das adquirentes e dos provedores de stablecoin nessa cadeia, nem como reguladores latino-americanos vão tratar liquidações que circulem fora do dólar. A pergunta operacional é se uma rede de CBDCs operada por bancos centrais aliados consegue, por desenho, replicar a escala e a confiabilidade que o Swift construiu em cinco décadas, ou se o caminho passa por pontes técnicas com sistemas como Pix internacional, depósitos tokenizados privados e redes de stablecoin regulada.

Fontes: FinextraFinancial Times via Yahoo FinanceBIS Innovation HubHong Kong Monetary AuthorityCoinDesk

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