A plataforma de pagamentos cross-border baseada em moedas digitais de bancos centrais (CBDC) que Pequim, Hong Kong, Tailândia, Emirados Árabes e Arábia Saudita vêm preparando desde 2021 se aproxima da operação comercial. O mBridge promete taxas pela metade do Swift e já movimentou 470 bilhões de yuans (cerca de US$ 69 bilhões em pilotos), segundo o Financial Times, com 26 instituições financeiras assinadas.
A entrada em operação coloca em rota de colisão um sistema que hoje canaliza a maior parte dos pagamentos internacionais. O desenho do mBridge permite que dois bancos centrais liquidem entre si na própria moeda digital, sem passar por dólar nem por banco correspondente, inscrevendo-se no debate global sobre o futuro das moedas digitais, com CBDCs disputando espaço com stablecoins privadas. “Dá pra chamar isso de cinturão e rota digital”, afirmou Tom Keatinge, do centro de finanças e segurança do Royal United Services Institute, ao Financial Times (em tradução livre de “You could say it’s a digital currency belt and road”).
O movimento ganha contorno especial visto do Brasil. Em novembro de 2025, o Banco Central encerrou a plataforma DLT do Drex após o TCU apontar inconsistências no desenho de blockchain e mudou para uma nova arquitetura agnóstica em 2026, sem componentes descentralizados. Em paralelo, o BofA prepara um corredor cross-border em tempo real entre EUA e seis países da Ásia, mas Pix segue fora, sintoma de que o sistema brasileiro vem aparecendo nas iniciativas globais mais como ponto de pesquisa do que como vértice operacional.
Os bancos centrais por trás do mBridge
| Banco Central | Jurisdição |
|---|---|
| People’s Bank of China | China |
| Hong Kong Monetary Authority | Hong Kong (RAE) |
| Bank of Thailand | Tailândia |
| Central Bank of UAE | Emirados Árabes Unidos |
| Saudi Central Bank | Arábia Saudita (ingresso em 2024) |
| Banco Central do Brasil | Observador |
Bancos centrais fundadores e observadores do Project mBridge. Governança transferida pelo BIS aos parceiros em outubro de 2024. Fonte: BIS Innovation Hub
Brasil entra como observador
O Brasil tem laços indiretos com a rede. O Banco Central consta como membro observador do projeto no Innovation Hub do BIS, que transferiu a governança aos bancos centrais participantes em outubro de 2024. No mesmo mês, BCB e Hong Kong Monetary Authority firmaram acordo para experimentos de tokenização cross-border, conectando o ambiente Drex à plataforma Ensemble. Em novembro de 2025, Banco Inter, Chainlink, BCB e HKMA finalizaram uma liquidação piloto de trade finance entre as duas redes.
O contraponto regulatório ronda a operação. O projeto enfrentou escrutínio público sobre se ofereceria caminhos para contornar sanções dolarizadas; o Financial Times noticiou que a transferência de governança em 2024 teria ocorrido sob pressão de Washington, o que o BIS negou. PBOC e BIS sustentam que o mBridge cumpre as regras antilavagem do GAFI. Não há data oficial de lançamento divulgada e a entidade que vai operar a plataforma deve ficar em Hong Kong.








