O Mercado Pago rebatizou seu assistente de inteligência artificial de “Mago” e ampliou o que ele faz. O que nasceu como um atalho para Pix e agendamento de pagamentos agora simula cenários financeiros, puxa dados via Open Finance e se posiciona como um “personal banker”. A ferramenta já alcança 17 milhões de usuários.
O que muda no assistente
Versão
O que faz
1ª versão (out/2025)
Comandos por voz e texto, Pix e agendamento de pagamentos (ações transacionais)
“Mago” (ago/2026)
Organiza finanças, simula cenários e investimentos, integra Open Finance, reforça antifraude e atua como “personal banker”
Evolução do assistente de IA do Mercado Pago. Fonte: Valor Econômico
Do atalho de Pix ao “personal banker”
O assistente pessoal foi lançado em outubro de 2025, com capacidade de entender linguagem natural em texto ou voz. Na estreia, executava apenas tarefas transacionais. Com a evolução, o “Mago” passa a organizar a vida financeira, simular projeções de finanças pessoais e investimentos e assumir funções de um gerente de banco na palma da mão.
Segundo o braço financeiro do Mercado Livre, a ferramenta não decide pelo usuário: organiza informações, explica possibilidades e executa apenas as transações solicitadas. A nova versão também ganhou mais capacidade de prevenção a fraudes e golpes e ficou integrada ao Open Finance, o que permite consultar saldos e movimentar recursos de contas em outras instituições. A tecnologia está disponível para 17 milhões de usuários e será expandida gradualmente para toda a base de 88 milhões de clientes.
“Estamos transformando a IA em uma camada inteligente integrada à experiência financeira dos nossos clientes […] mantendo sempre o usuário no controle de cada decisão”, afirmou André Chaves, vice-presidente sênior do Mercado Pago no Brasil, em nota. A empresa vem apostando em IA para escalar operações como crédito.
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O que os brasileiros querem da IA nas finanças
Uma pesquisa da própria empresa, divulgada em julho de 2026 com 2,3 mil brasileiros, ajuda a explicar o desenho do produto. Segundo o levantamento, 73% dos entrevistados se sentiriam mais confortáveis em usar IA para finanças se as recomendações fossem baseadas em seu histórico real de gastos. O apetite existe: 66% já usam assistentes de IA, mas apenas 17% recorrem a essas ferramentas para organizar as finanças.
Entre as aplicações mais desejadas estão controlar os gastos do mês (16%), descobrir formas de economizar (14%), receber sugestões de investimentos (12%) e comparar produtos financeiros, como crédito (9%). São exatamente as tarefas que o “Mago” promete concentrar em uma única interface conversacional.
O que observar
O reposicionamento de um assistente transacional para “gerente financeiro” muda o que está em jogo: a disputa deixa de ser por conveniência e passa a ser por confiança. Quando uma camada de IA lê o histórico de gastos e sugere para onde mover o dinheiro, a linha entre organizar informação e recomendar produto fica tênue. Vale acompanhar como reguladores e o próprio ecossistema de Open Finance vão tratar recomendações automatizadas que convivem com o interesse comercial de quem oferece a ferramenta.
Há também a questão da adoção. Se dois terços dos usuários já experimentam IA, mas só uma fração a usa para finanças, o gargalo não é tecnológico, é de percepção de risco. A pergunta que fica é se dar ao usuário controle explícito sobre cada decisão, em vez de automação total, será suficiente para converter curiosidade em hábito, e se plataformas com base ampla conseguem transformar assistentes conversacionais em canal principal de relacionamento financeiro.