O Mercado Pago lançou nesta quinta-feira (9) a Conta Negócio, plataforma que unifica adquirência, serviços financeiros e software de gestão para pequenas e médias empresas em um único hub no aplicativo. A aposta vem com o argumento mais alto da mesa: o banco digital do Mercado Livre afirma oferecer crédito a 9 em cada 10 empreendedores com faturamento acima de R$ 10 mil por mês, em até três meses de uso da conta.
O que muda com a Conta Negócio
| Serviço |
Antes |
Agora |
| Software de gestão |
R$ 79/mês |
Gratuito (acima de R$ 10 mil) |
| Cofrinhos (rendimento) |
120% CDI restrito |
120% CDI para todos |
| Adquirência |
Com taxa de antecipação |
Sem taxa + tarifas regressivas |
| Acesso a crédito |
Condicional |
9 em 10 PMEs elegíveis em 3 meses |
Benefícios plenos valem para faturamento acima de R$ 10 mil/mês. Base atual: 9 milhões de empreendedores. Fonte: Bloomberg Línea
O tamanho da aposta em crédito da Conta Negócio
A carteira de crédito do Mercado Pago para PMEs no Brasil cresceu 40% em 2025, alcançando R$ 11 bilhões. No consolidado global do grupo, a carteira de crédito total chegou a US$ 12,5 bilhões no quarto trimestre de 2025, avanço anual de 90%. O Brasil é a principal praça dessa expansão, e o segmento de PMEs foi apontado como uma das prioridades na rodada de R$ 57 bilhões em investimentos anunciada pelo Mercado Livre para o Brasil em 2026.
A análise de concessão usa mais de 2 mil variáveis e dados de Open Finance para calibrar ofertas por perfil. “A Conta Negócio libera uma oferta de crédito para um volume maior de empreendedores. Estamos crescendo a taxas muito aceleradas nesse segmento”, afirmou Daniel Davanço, diretor sênior de PMEs da companhia no Brasil, em entrevista coletiva. O executivo atribui o apetite à relação de 20 anos do banco digital com esse perfil de cliente, já que o Mercado Pago nasceu justamente para atender vendedores do marketplace do Mercado Livre.
A Conta Negócio contra o padrão do mercado
O dado de acesso a crédito é o argumento de guerra da plataforma. Levantamento do Sebrae citado pela companhia mostra que, em 2025, apenas 4 em cada 10 empreendedores brasileiros conseguiram os empréstimos que buscavam. O Mercado Pago diz operar o inverso dentro do próprio funil: 9 em 10 para quem fatura acima de R$ 10 mil. O movimento reforça uma tendência recente do mercado em que Mercado Pago e Nubank têm liderado a expansão de crédito enquanto incumbentes seguem mais seletivos.
A Conta Negócio é gratuita, sem teto de faturamento, e está disponível para qualquer PJ. Os clientes PJ existentes serão migrados automaticamente para a nova interface. Os benefícios plenos, como o software sem custo e os cofrinhos a 120% do CDI, ficam restritos a quem fatura acima de R$ 10 mil por mês. O lançamento começa no Brasil, com expansão em análise para outros países da América Latina.
O que observar
O movimento pressiona diretamente dois blocos: adquirentes que competem por PME com base em taxa de antecipação (a principal linha de receita do segmento) e bancos digitais PJ que ainda cobram pelo software de gestão como produto ancilar. Tornar a antecipação sem taxa adicional e o software gratuito redesenha a equação de rentabilidade do setor. Vale acompanhar como as adquirentes independentes respondem em um mercado onde o diferencial de taxa já está comprimido há dois anos.
O teste de fundo, porém, é crédito. Ofertar capital a 9 em 10 empreendedores de um perfil específico só é possível se a inadimplência estiver calibrada, e essa métrica ainda não foi aberta. Se a carteira continuar crescendo a 40% ao ano sem degradar qualidade, o modelo comprova que dados proprietários de marketplace (histórico de vendas, fluxo de caixa real) geram vantagem informacional contra o crédito tradicional. Se não, o risco migra para o balanço do próprio grupo. A pergunta que fica é se o Open Finance será suficiente para que outros players repliquem essa profundidade de análise, ou se a integração vertical com um marketplace é a parte que não se copia.
Fontes: Bloomberg Línea • Seu Dinheiro • Startups