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Mercado Pago aposta em IA para escalar crédito no Brasil

Chefe do Mercado Pago no Brasil diz que o crédito está mais saudável que em ciclos anteriores e vê o negócio escalar com underwriting via IA.

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· 3 min

Atualizado em

O Mercado Pago aposta em concessão de crédito movida a inteligência artificial para expandir sua carteira no Brasil sem perder qualidade. Andre Chaves, chefe da operação brasileira, afirma que os indicadores de crédito estão mais saudáveis que em ciclos econômicos anteriores e que o negócio ainda está no começo, mesmo com a inadimplência do país em nível recorde.

Onde o Mercado Pago diz usar IA

Frente Função
Concessão de crédito Decisão apoiada nos dados do ecossistema de e-commerce
Prevenção a fraude Proteção da plataforma e dos usuários
Educação financeira Orientação personalizada ao cliente

Os três usos de IA citados por Andre Chaves. Fonte: FF News

A aposta em subir de faixa

A estratégia descrita por Chaves passa por levar o Mercado Pago a clientes de maior renda e ampliar os serviços de banco digital. A combinação de uma conta remunerada com um programa de fidelidade, segundo a empresa, rendeu o maior índice de recomendação (NPS) do mercado, embora o dado seja uma afirmação da própria companhia. A ideia é tornar a passagem do e-commerce para os serviços financeiros sem atrito, tanto para consumidores quanto para lojistas, enquanto a adquirência se sustenta na adoção acelerada do Pix.

Para bancar essa expansão, o braço financeiro vem sendo capitalizado. Em 2026, o Mercado Pago reforçou sua financeira com R$ 2 bilhões após aval do Banco Central, movimento que amplia a capacidade de originar crédito. A base também cresce: a plataforma já soma 11 milhões de clientes no país.

Crédito saudável em meio a um ciclo tenso

Chaves diz que as métricas internas de crédito superam os parâmetros históricos e que a empresa opera com um manual de crédito dinâmico, capaz de ajustes rápidos caso o cenário macroeconômico mude. O argumento central é que a vantagem de dados do ecossistema de e-commerce da Mercado Libre permite oferecer produtos que bancos tradicionais costumam ignorar, com underwriting mais preciso e prevenção a fraude embutida.

“Estou muito otimista. Estamos apenas no começo. Este é um negócio que pode ser múltiplas vezes o que é hoje”, afirmou Andre Chaves (em tradução livre). O otimismo contrasta com o pano de fundo do crédito brasileiro, em que a inadimplência de consumidores e empresas roda em máximas, o que torna a tese de qualidade um teste prático, não apenas retórico.

O que observar

A pergunta que fica é se a vantagem de dados transacionais realmente se converte em menor inadimplência ao longo de um ciclo de aperto, e não só em janelas de crescimento. Plataformas que cruzam e-commerce e crédito têm um sinal de risco que bancos tradicionais não enxergam, mas esse sinal ainda precisa provar resiliência quando o consumidor aperta. Vale acompanhar se a concessão apoiada em IA mantém a inadimplência sob controle enquanto a carteira sobe de faixa de renda.

O segundo ponto é operacional: subir de faixa de renda exige competir por clientes que já têm relacionamento com bancos grandes, o que pressiona custo de aquisição e remuneração de depósitos. Se a conta remunerada e o programa de fidelidade sustentarem a retenção sem corroer margem, a tese de banco digital lucrativo ganha tração. Se a disputa por depósitos encarecer o funding, o crescimento agressivo cobra seu preço na rentabilidade.

Fontes: FF NewsLet’s MoneyLet’s Money

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