A Mercury captou US$ 200 milhões em Série D, alcançando valuation de US$ 5,2 bilhões, 49% acima do que valia há 14 meses, enquanto avança com aprovação condicional do regulador bancário americano para lançar banco próprio nos Estados Unidos.
A rodada Série D foi liderada pela TCV, com participação de retorno de Andreessen Horowitz, Coatue, CRV, Sapphire Ventures, Sequoia Capital e Spark Capital. O movimento acompanha uma tendência que fintechs bem capitalizadas já seguiram na Europa: sair da dependência de parceiros bancários e construir infraestrutura própria.
Em abril de 2026, a Mercury recebeu aprovação condicional do OCC (Office of the Comptroller of the Currency) para constituir o Mercury Bank, N.A. Para concluir o processo, a empresa ainda precisa de aprovações do FDIC e do Federal Reserve, além da aprovação final do OCC, prevista para 2027. Com a licença completa, a Mercury poderá oferecer acesso ao Zelle, linha de crédito ampliada e infraestrutura de pagamentos proprietária, serviços que hoje dependem de terceiros.
Fundada em 2019 por Immad Akhund, a empresa atende 300 mil clientes, incluindo uma em cada três startups americanas. No Q3 2025, atingiu US$ 650 milhões em receita anualizada, acumulando quatro anos consecutivos de lucro em GAAP e EBITDA. No primeiro trimestre de 2026, as solicitações de abertura de conta cresceram 2,5 vezes em relação ao mesmo período de 2025, frente a uma alta de 18% no mercado americano.
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Mercury Command e a aposta em IA
A empresa está acelerando o desenvolvimento de produtos com inteligência artificial. Já lançou o Mercury Insights, painel de saúde financeira em tempo real sem necessidade de planilhas externas, e adquiriu a Central, startup de folha de pagamento com IA nativa. Também disponibilizou ferramentas para desenvolvedores via MCP e CLI. Ainda em 2026, estreia o Mercury Command, interface de linguagem natural para tarefas financeiras ponta-a-ponta: “Em vez de procurar o que precisam, os usuários dirão ao Mercury o que precisam e a tarefa será realizada: verificar o saldo de caixa, alterar as regras de transferência automática, categorizar transações, enviar uma fatura”, descreve a empresa em comunicado.
“A IA está eliminando o atrito entre uma ideia e uma empresa mais rápido do que qualquer coisa que eu já vi na minha carreira. Veremos mais fundadores nos próximos cinco anos do que nos últimos vinte”, disse Immad Akhund, fundador e CEO da Mercury. A tração já reflete esse contexto: 73% dos novos clientes vêm de setores fora de IA e tech, indicando que a proposta de serviços bancários com IA autônoma tem apelo além do nicho original de startups de tecnologia.
O que observar
A transição de fintech para banco regulado é o movimento mais complexo que fintechs podem fazer: exige estrutura de capital, governança e compliance muito mais pesados do que os construídos sob o guarda-chuva de parceiros bancários. O prazo projetado de 2027 para aprovação final do charter deixa uma janela relevante de incerteza sobre como conciliar o ritmo de lançamento de produto com as exigências regulatórias que acompanham uma licença bancária nacional nos EUA.
Vale acompanhar se interfaces de linguagem natural para tarefas financeiras executadas por agentes de IA conseguem atrair empreendedores fora do segmento de tecnologia com a mesma velocidade que atraíram startups de IA. Com 73% dos novos clientes já fora de IA e tech, a pergunta é se o produto de IA é o driver desse crescimento ou se a proposta de conta completa para empreendedores seria suficiente sem ele.