Ir para o conteúdo

CréditoCrédito · Monzo

Monzo automatiza consolidação de dívidas e quita credores

O Monzo passa a localizar e quitar as dívidas antigas do cliente direto com os credores, usando a tecnologia Clearer da ClearScore no Reino Unido.

por

· 3 min

Atualizado em

Shutterstock

O banco digital Monzo passou a consolidar dívidas de forma automática no Reino Unido. Em parceria com a ClearScore, o app agora localiza os empréstimos antigos do cliente e os quita direto com cada credor, sem que a pessoa precise ligar para os bancos ou transferir os valores por conta própria.

Os dois patamares de juros do empréstimo Monzo

Faixa do empréstimo APR representativo
Até £10 mil 21,8%
Acima de £10 mil, até £35 mil 10,2%

APR representativo do empréstimo de consolidação do Monzo, para residentes no Reino Unido. Fonte: Finextra

Como a consolidação automática funciona

A tecnologia por trás do serviço se chama Clearer, desenvolvida pela ClearScore. Ela junta os empréstimos do cliente em um único crédito e, na sequência, localiza e liquida as dívidas existentes direto com os credores. O Monzo descreve o recurso como uma primeira entre os bancos do Reino Unido. É o mesmo banco que recentemente criou um cartão para incluir consumidores sem histórico de crédito, sinal de que a casa vem organizando produtos em torno de crédito e inclusão.

O ganho está em fechar duas brechas do processo antigo. Hoje o cliente costuma ter de contatar cada credor e acertar os saldos sozinho. E, como as dívidas anteriores não são quitadas de forma automática, o credor avalia a capacidade de pagamento como se aqueles saldos fossem continuar de pé. Em publicação no LinkedIn, Luke Enock, gerente-geral de crédito do Monzo, afirmou que a consolidação hoje gera mais burocracia “no exato momento em que as pessoas precisam que as coisas fiquem mais simples” (em tradução livre). Segundo ele, o novo desenho significa “menos burocracia e a confiança de que o empréstimo está sendo usado para abater o que já se deve” (em tradução livre).

O serviço está disponível para residentes no Reino Unido com mais de 18 anos e conta corrente Monzo, sujeito a critérios de elegibilidade. O APR representativo é de 21,8% para empréstimos de até £10 mil e de 10,2% para valores acima de £10 mil e até £35 mil.

O paralelo com o Open Finance brasileiro

O movimento ecoa uma frente que o Brasil destravou em 2026. Aqui, a portabilidade de crédito no Open Finance entrou em operação, criando trilhos para transferir empréstimos entre instituições de forma digital, sem o cliente precisar carregar papel de um banco a outro. A lógica é próxima da do Monzo: reduzir o atrito de mover dívida de um lugar para outro. No país, o debate sobre trocar dívida cara por barata ganhou força com os programas de renegociação, e a automação do processo é o próximo gargalo a ser atacado.

Do lado de quem empresta, a ClearScore argumenta que a liquidação garantida dos saldos antigos melhora a leitura de risco. A empresa afirma que o Clearer entrega “quitação garantida das obrigações existentes, avaliação e precificação de risco mais precisas, menor risco de inadimplência e jornadas totalmente digitais com menor custo de operação” (em tradução livre).

O que observar

A aposta de fundo é transformar consolidação de dívida em uma operação de baixo atrito, em que o dinheiro do novo empréstimo já sai amarrado à quitação dos saldos antigos. Se o modelo pegar, o impacto mais direto recai sobre credores de médio porte e fintechs de crédito, que passam a competir menos por taxa de fachada e mais pela experiência de migração. Vale acompanhar se a liquidação automática entre instituições reduz de fato a inadimplência, como sustentam os provedores da tecnologia, ou apenas desloca o risco para a régua de concessão. No Brasil, a pergunta que fica é se os trilhos do Open Finance vão permitir que plataformas de portabilidade ofereçam algo parecido, com quitação direta entre instituições, num prazo curto.

Fontes: FinextraPYMNTSLet’s Money

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasNotícias
Ver a editoria

Mais artigos de Notícias

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.