O Monzo, banco digital britânico com 15 milhões de clientes, passou a oferecer remessas em naira para a Nigéria direto no aplicativo, usando a infraestrutura do Wise Platform. A entrada de um banco que atende um em cada cinco adultos do Reino Unido mira o fluxo de remessas à Nigéria, de US$ 20 bilhões por ano, do qual o corredor britânico é uma fatia relevante.
Como fica a remessa em naira do Monzo
| Item |
Valor |
| Taxa fixa por transferência |
£0,59 |
| Taxa variável |
0,93% |
| Câmbio Monzo |
₦1.823,9 / £1 |
| Câmbio Revolut |
₦1.793,3 / £1 |
| Promoção sem taxa |
22/jun a 22/ago/2026 |
Tarifas, câmbio comparado e promoção de lançamento. Fonte: Merchants Eye
Como o Monzo embute a Wise
A operação roda sobre o Wise Platform, o braço B2B2X da Wise que fornece a taxa de câmbio e executa o pagamento de última milha. A relação não é nova: o Monzo foi cliente-piloto do Wise Platform em 2018 e desde então usa a infraestrutura para mover transferências internacionais, a mesma empresa que estreou na Nasdaq movimentando US$ 243 bilhões em pagamentos. As remessas para a Nigéria saem sem taxa entre 22 de junho e 22 de agosto de 2026; depois, valem uma taxa fixa de £0,59 e uma variável de 0,93%.
No câmbio, o app mostrou ₦1.823,9 por £1, ante ₦1.793,3 da Revolut. O apelo é dispensar a troca de aplicativo que costuma travar a vida de quem envia dinheiro para casa. “Para mim, é realmente sobre a flexibilidade de poder enviar dinheiro pelo app que eu já uso”, afirmou Edidiong Ekong, que atua com marketing no Reino Unido, em tradução livre.
O tabuleiro das remessas para a Nigéria
O corredor Reino Unido-Nigéria é um dos mais movimentados do mundo, e o Reino Unido aparece de forma consistente entre os três maiores mercados de origem. A Wise opera com aval prévio do banco central nigeriano como operadora internacional de transferências desde março de 2026, um estágio anterior à autorização plena, o que ainda impõe um teto regulatório ao produto. É o mesmo caminho de licenciamento que a Wise vem repetindo em outros mercados, como ao receber cinco licenças na Tailândia.
Do outro lado, operadoras especializadas no corredor, como LemFi e Africhange, vêm diversificando para crédito e poupança para defender a base. A aposta delas é o onboarding mais rápido, a tarifa explícita zerada e o conhecimento fino do corredor, que costuma render câmbio melhor que o de bancos tradicionais.
O que observar
O ponto não é se um banco full-service consegue oferecer remessa, e sim quem absorve o atrito de quem mais sente a mudança: as casas de remessa especializadas em corredores de diáspora. A vantagem de distribuição de uma base com milhões de usuários é difícil de igualar, mas a barreira de entrada de um banco completo, com onboarding mais pesado, pode proteger os operadores menores e mais ágeis. Vale acompanhar se a defesa das especializadas migra mesmo do preço para serviços adjacentes, como crédito e poupança, onde a margem é maior.
Há ainda o teto regulatório: enquanto a infraestrutura opera sob aval prévio, e não sob autorização plena, o produto fica limitado em volume e escopo. No Brasil, bancos digitais que hoje terceirizam câmbio e remessa observam de perto se vale internalizar o corredor, transformando uma comodidade de viagem em linha de receita recorrente.
Fontes: Merchants Eye • The Condia • TechCabal • Let’s Money • Let’s Money