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Neon reduz prejuízo 88% em 2025 e mira ROE de 30%

Neon reduziu prejuízo de R$ 357 mi em 2024 para R$ 43 mi em 2025 e projeta crescimento forte em 2026 com IA. Meta de ROE de 30% no médio prazo.

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Atualizado em

Foto: Divulgação

A Neon reduziu o prejuízo líquido de R$ 357 milhões em 2024 para R$ 43 milhões em 2025, queda de 88%, e mira um ROE de 30% no médio prazo. A receita cresceu 55%, para R$ 3,5 bilhões, e o CEO Fernando Miranda afirmou que quer 90% dos quase mil funcionários usando IA diariamente até o fim do ano. O reposicionamento de 2025 é o pano de fundo do movimento.

Os números da virada em 2025

Indicador 2025
Receita anual R$ 3,5 bi (+55%)
Lucro bruto R$ 600 mi
Prejuízo líquido R$ 43 mi (vs R$ 357 mi em 2024)
Carteira de crédito R$ 7,8 bi (+33%)
Carteira de cartão R$ 6,1 bi (+30%)
Consignado privado +48%

Fonte: Neon em entrevista ao Valor.

Crédito disciplinado e leitura de NPV

A fintech não abre a inadimplência acima de 90 dias, mas afirma que a provisão para devedores duvidosos ficou estável em 2025, enquanto “no restante do mercado se deteriorou 20%, 30%”, segundo Miranda. “Eu poderia ter crescido mais no crédito? Sem dúvida, mas a gente começa a olhar cada vez mais o conceito de valor presente líquido do cliente. Mais do que olhar só para receita ou para o PDD, eu quero maximizar o NPV”, explicou.

No consignado privado, Miranda disse ver a nova linha com cautela: “Minhas safras são super-rentáveis, mas o ecossistema ainda é instável, tem ‘bugs’, falhas operacionais. Estamos preparando o motor para acelerar a hora que tivermos condições para isso.” A nova linha do Crédito do Trabalhador já movimenta R$ 110 bilhões, mas ainda aguarda regulamentação do FGTS como garantia.

IA como alavanca de 2026

A estratégia combina eficiência, expansão do crédito e uso intensivo de IA. Miranda afirmou que 82% das interações de atendimento já são automatizadas por IA generativa, e que ferramentas de codificação assistida elevaram em 25% a produtividade dos times de engenharia. A meta é levar 90% dos quase mil funcionários ao uso diário de IA até o fim do ano, movimento que segue adoção parecida em concorrentes diretos. A base encerrou 2025 em cerca de 32 milhões de usuários, estável em relação a 2024.

O que observar

A meta de ROE de 30% alinha a fintech ao patamar já alcançado por bancos digitais brasileiros listados, mas o caminho depende de dois trilhos. Um é a disciplina no crédito: PDD estável enquanto o mercado piora sinaliza safras novas mais seletivas, e o teste real vem quando a base de consignado privado ganhar tamanho. Outro é operacional: se o uso diário de IA por 90% dos funcionários virar queda real de custo unitário, a alavanca valida o guidance. Se virar só métrica de adoção, o efeito no ROE fica curto.

Vale acompanhar também o ritmo da linha de consignado privado no novo modelo digital. Enquanto o ecossistema regulatório estiver em formação, a rentabilidade por safra pode mascarar perdas que só aparecem em atrasos acima de 90 dias, janela que os emissores digitais optaram por não divulgar.

Fontes: ValorLet’s Money sobre o plano da NeonLet’s Money sobre consignado privado

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