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Nomad fecha contrato de 10 anos com Time Out Market em SP

A fintech fechou acordo de dez anos e R$ 100 milhões de investimento inicial para a primeira casa do Time Out Market na América do Sul, na Paulista.

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Atualizado em

Benjamin Ramalho, Time Out Market e Thais Souza Nicolau, Nomad - Crédito: Bruno Marçal

A Nomad fechou um acordo de dez anos com a rede Time Out Market e vai bancar R$ 100 milhões de investimento inicial para trazer a primeira casa sul-americana da marca ao Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. A abertura está prevista para os três primeiros meses de 2027 e coloca a fintech de conta global dentro da operação de um negócio de gastronomia.

O desenho foi batizado de experience rights, ou direitos de experiência: em vez de comprar destaque para o próprio nome no letreiro do projeto, a patrocinadora paga para operar vantagens exclusivas lá dentro. “Não queríamos apenas colocar nossa marca na parede”, disse Thais Souza Nicolau, diretora de marketing da Nomad, à Exame. Para a executiva, “a gastronomia é o maior elo emocional para quem quer explorar o mundo, que tem total sinergia com a nossa proposta de serviços financeiros”.

O contrato da Nomad com o Time Out Market

Duração do contrato 10 anos
Investimento inicial R$ 100 milhões
Endereço Conjunto Nacional, São Paulo
Abertura 1º trimestre de 2027
Soft opening com prioridade a clientes Janeiro de 2027
Boxes de restaurantes sob gestão da fintech 1 de 17

Termos do contrato entre Nomad e Time Out Market. Fonte: Exame

Nomad e Time Out Market: o que o contrato prevê

Um entre os 17 boxes ficará sob gestão da própria fintech, com curadoria trocada a cada quatro meses: ora cozinheiros estrangeiros que nunca assinaram um menu no país, ora parcerias entre chefs brasileiros e internacionais. Quem já é cliente entra primeiro no soft opening, a abertura restrita marcada para janeiro de 2027, e depois ganha área própria dentro do prédio, reserva facilitada, desconto, drink e sobremesa por conta da casa. O salão ainda vai abrigar uma máquina que emite cartão de crédito da empresa na hora. Fora de São Paulo, o acordo prevê ações nas unidades de Lisboa e Nova York.

Pelo que apurou a Startups.com.br, a unidade terá 3.250 m² e reunirá 17 restaurantes, uma padaria, uma cozinha estúdio e três bares, com capacidade para 750 a 800 pessoas. Nicolau afirmou em coletiva de imprensa que “uma parceria tão grandiosa não se encaixava num modelo tradicional de patrocínio do mercado”.

A fintech que já vinha ocupando espaço físico

A aposta em ponto de contato presencial não nasceu agora. A fintech tem seis anos de estrada e já opera uma sala VIP em Guarulhos, com pegada de hospitalidade pouco comum entre instituições financeiras. No episódio 86 do Let’s Money Podcast, em fevereiro de 2026, Lucas Vargas, CEO e cofundador da Nomad, contou que aquela sala saiu do papel em 2023 depois de ser desenhada desde o início de 2021, e que a meta nunca foi conversão imediata: “é um processo de longo prazo de construção de marca”, afirmou.

Os números que a empresa apresenta ajudam a explicar o tamanho do cheque. A Nomad afirma ter hoje 3,8 milhões de clientes, contra 1,2 milhão ao fim de 2023. A fatia que investe no exterior pelo aplicativo saiu de 5% da base para 20%, e o patrimônio custodiado alcança R$ 8 bilhões. No fim de agosto, a fintech anunciou Caio Vaz como novo diretor de negócios.

O patrocínio que deixou de ser só um letreiro

O mercado brasileiro vinha vivendo uma febre de naming rights, o direito de batizar estádios, estações do metrô, filmes e séries. Em maio de 2026, o Nubank anunciou o novo nome do estádio do Palmeiras após votação dos torcedores, num período em que os bancos ampliam patrocínios esportivos na disputa pela alta renda. O contrato assinado agora troca a placa pela operação.

O que observar

O caso levanta uma pergunta prática para as fintechs de conta global e para os bancos digitais que disputam o cliente de renda mais alta: até onde compensa trocar mídia por metro quadrado. Um contrato de dez anos amarra orçamento de marketing a um ativo físico cuja performance só começa a aparecer depois da inauguração, e o retorno tende a ser medido em recorrência de uso e em custo de aquisição, não em alcance. Vale acompanhar se outras casas do setor vão migrar de patrocínio de fachada para operação de experiência, e se esse tipo de espaço se sustenta como canal de venda quando a novidade passa.

Fontes: ExameStartups.com.brLet’s Money Podcast

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