O Nubank completou 13 anos com 135 milhões de clientes na América Latina e receita anualizada de US$ 20 bilhões, mas ainda captura menos de 7% do lucro bruto do mercado financeiro brasileiro e menos de 1% do mexicano, apontando espaço amplo de crescimento nos dois principais mercados da empresa.
Nubank na América Latina: clientes e inclusão financeira
| País |
Clientes |
Incluídos financeiros |
1º cartão |
| Brasil |
115 milhões |
31,5 milhões |
8,4 milhões |
| México |
15 milhões |
4,7 milhões |
9,3 milhões |
| Colômbia |
~5 milhões |
~1 milhão |
~1 milhão |
| Total |
135 milhões |
~37 milhões |
~28 milhões |
Dados do relatório dos 13 anos. Fonte: Nubank
US$ 20 bilhões em receita e 7% do mercado
A combinação de escala e espaço ainda a capturar define o principal argumento do momento. Com 115 milhões de clientes no Brasil, o Nubank já atende mais de 60% da população adulta do país. No entanto, o banco digital detém apenas cerca de 7% do lucro bruto do setor financeiro brasileiro, o que, na leitura do CEO David Vélez, qualifica a posição atual como o início de uma fase mais longa. “Em apenas 13 anos, atingimos uma escala que menos de mil empresas no mundo têm: uma receita anualizada de US$ 20 bilhões”, disse Vélez. “Mesmo aumentando nossa fatia de mercado e lucratividade trimestre após trimestre, temos apenas cerca de 7% do lucro bruto do mercado financeiro brasileiro e menos de 1% do mexicano. Ainda estamos nos primeiros minutos do primeiro tempo do que o Nu pode atingir.”
Só no primeiro trimestre de 2026, foram 4 milhões de novos clientes incorporados à base. Para a empresa, que havia atingido 112 milhões de clientes no início do ano, o crescimento absoluto mantém ritmo consistente mesmo com uma base já ampla. Reconhecimentos externos corroboram o posicionamento: a TIME classifica o Nubank entre as empresas financeiras mais influentes do mundo, a Brand Finance posiciona a marca Nu como a quarta mais forte do planeta entre instituições financeiras e a primeira entre neobancos, e a Forbes elege o banco como melhor do Brasil pelo oitavo ano consecutivo e do México pelo quinto.
Licença bancária nos EUA e breakeven no México
Em janeiro de 2026, o Nubank recebeu aprovação condicional para operar como banco nacional nos Estados Unidos. Paralelamente, a operação mexicana se prepara para iniciar atividades como banco após aprovação do regulador local, e atingiu breakeven no primeiro trimestre de 2026, em ritmo mais rápido do que a operação brasileira chegou ao mesmo marco. No Brasil, a empresa anunciou R$ 45 bilhões em investimentos em 2026, volume que praticamente dobrou nos últimos dois anos. Os recursos cobrem quatro frentes: plataformas e modelos de crédito com inteligência artificial, novos produtos, expansão de times e escritórios, e reforço da base de capital.
A tese original, fundada em 2013 por Vélez ao lado de Cristina Junqueira e Edward Wible, partiu de um produto único: um cartão de crédito roxo, sem anuidade, gerenciado por aplicativo, lançado em 2014. O primeiro milhão de clientes veio dois anos depois. Em dez anos, foram os primeiros 100 milhões. Treze anos depois, o portfólio abrange uma gama completa de produtos em três países, com os próximos mercados já em processo de análise.
O que observar
O dado mais relevante do relatório não é o volume absoluto de clientes, mas o percentual do lucro do setor que o neobanco ainda não captura: menos de 7% no Brasil e menos de 1% no México. Para um negócio com mais de 60% da população adulta brasileira na base, esse diferencial só se mantém se a penetração em produtos de maior margem, como crédito pessoal, seguros e investimentos, ainda estiver em estágio inicial, o que o próprio portfólio confirma.
O breakeven mexicano mais rápido do que o brasileiro merece atenção como indicador de eficiência de expansão. Se o padrão se repetir nos EUA, o cronograma para rentabilidade americana pode ser mais curto do que as métricas da fase brasileira sugeriam. O ponto crítico a acompanhar é a aprovação definitiva da licença bancária americana, que ainda está em fase condicional: sem ela, a operação nos EUA permanece limitada em escopo de produtos. No Brasil, o volume de R$ 45 bilhões em investimentos em IA e crédito sinaliza que a próxima camada de crescimento deve vir de modelos de crédito mais sofisticados, e não apenas de expansão de clientes.
Fontes: Nubank • Let’s Money • Let’s Money