O Nubank chegou a 6 milhões de clientes no Nu Empresas e se declara a maior instituição financeira do país em número de CNPJs. A conquista vem principalmente de MEIs, mas a fintech agora aprofunda a oferta para micro e pequenas empresas, segmento que passa a ser o principal foco da operação PJ.
Nu Empresas em números
| Indicador |
Dado |
| Clientes PJ |
6 milhões |
| Cartões de crédito PJ emitidos |
2 milhões (1 a cada 3 clientes) |
| Carteira total Nubank (Q1 2026) |
US$ 37,2 bi (+40% anual) |
Dados do Nu Empresas divulgados em maio de 2026. Fonte: Valor Econômico
De extensão da conta PF a banco PJ consolidado
O Nu Empresas foi lançado em 2019 como uma conta voltada, principalmente, para empreendedores que queriam separar finanças pessoais das profissionais. Desde então, a operação expandiu o portfólio para crédito, cobrança e meios de pagamento. O Nubank chegou a 112 milhões de clientes PF em janeiro de 2026, e a base PJ agora acompanha o ritmo: dos 6 milhões de CNPJs ativos, a maior parte são MEIs.
O diretor-geral do Nu Empresas, Maximiliano Damian, atribui a velocidade de expansão à estratégia de aquisição dentro da própria base PF. “Silenciosamente, montamos o maior banco do Brasil”, afirmou Damian. A captação a partir de clientes PF existentes mantém o custo de aquisição baixo mesmo com o avanço para empresas de maior porte.
Crédito e cobrança como alavanca para micro e pequenas
A virada de foco para micro e pequenas empresas começa a tomar forma no portfólio de produtos. Nos últimos meses, o Nu Empresas lançou a antecipação de recebíveis de boletos, canal historicamente limitante para PMEs, e aderiu ao Programa Emergencial de Acesso a Crédito (PEAC), com cobertura do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) do BNDES. “Quando a gente vê o número de clientes que tiveram acesso a crédito pela primeira vez pelo Nubank, a gente ampliou a carteira de crédito total por conta disso”, disse Damian. A fintech não divulga o volume da carteira PJ separadamente da carteira total, que atingiu US$ 37,2 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta anual de 40%.
Outro produto com tração acima das expectativas é o Assistente de Cobranças, ferramenta que centraliza boleto, Pix e cartão. Lançado em novembro, o serviço registrou adesão que, segundo Damian, superou as projeções internas. O tap-to-pay, que transforma o celular em maquininha para recebimento via cartão, complementa a oferta de meios de pagamento.
O que observar
A consolidação em MEI é relativamente simples: custo de aquisição baixo, produto enxuto, base enorme. O salto para micro e pequenas empresas exige um portfólio diferente, especialmente em crédito. O perfil de risco dessas empresas é mais heterogêneo, a demanda por capital de giro é recorrente e as perdas em inadimplência impactam mais fortemente a margem. Vale acompanhar se a linha PEAC, com garantia do FGI, será suficiente para escalar crédito em volume relevante ou se a fintech precisará de instrumentos de risco próprio para crescer nesse segmento.
A campanha com Lázaro Ramos sinaliza que o Nu Empresas quer deixar de ser uma extensão silenciosa do produto PF e construir identidade própria entre empresários. O teste real será o dado de carteira PJ, que a fintech ainda não abre: quando esses números aparecerem no earnings report, vão mostrar se o avanço sobre PMEs está gerando receita incremental ou apenas aumentando a base sem adicionar margem.
Fontes: Valor Econômico • Let’s Money • Let’s Money