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Nubank cobra R$ 74 mi em disputa por recebíveis da Entrepay

Nubank cobra R$ 74 mi em recebíveis da Entrepay em liquidação. Ações somam R$ 268 mi e revelam duplicidade de cobrança no arranjo de pagamentos.

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· 3 min

Atualizado em

A Nu Financeira ingressou na Justiça para recuperar R$ 74 milhões antecipados à Entrepay, adquirente cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo BC em 27 de março. O caso mais emblemático de uma enxurrada de ações que soma R$ 268 milhões e expõe uma lacuna no arranjo de pagamentos brasileiro: banco, lojista e subadquirente podem reivindicar o mesmo recebível ao mesmo tempo.

Entrepay: principais credores em disputa

Credor Valor (R$)
Nu Financeira (Nubank) 74 mi
Vivo 31 mi + 96 mi futuros
KEB Hana ~15 mi (estimativa mercado)
Daycoval ~13 mi (estimativa mercado)
BeFly (Vai Voando + Queensberry) 13 mi
Total das ações R$ 268 mi (R$ 431 mi c/ futuros)

Principais credores na liquidação da Entrepay. Fonte: Pipeline Valor

Como funciona o conflito de titularidade

No fluxo normal, o banco emissor tem a relação de crédito com o lojista e se compromete, em D+27 ou D+30, a transferir os recursos para a adquirente, que então repassa ao comerciante. O problema surge quando uma instituição financeira antecipa esse fluxo para a adquirente antes que os recursos cheguem: com a liquidação, os dois passam a alegar que são donos do mesmo recebível. “Com a liquidação, o dinheiro simplesmente para de sair do banco emissor”, disse um participante do mercado ao Pipeline. Quando há subadquirentes no meio da cadeia, o conflito se multiplica: PJBank, TAL Soluções, Parcelamos Tudo, Keypay e NetCred são réus em ações na Justiça paulista.

O Nubank afirmou que realizou “algumas operações de antecipação de recebíveis com a Entrepay, no âmbito das regras dos arranjos de pagamentos regulamentado, com salvaguardas operacionais e jurídicas específicas. Trata-se de um caso isolado em uma única credenciadora, sem impacto material para a companhia.” Para subadquirentes como a NetCred, o impacto foi imediato: a empresa arcou com os repasses aos seus clientes antes de buscar ressarcimento. “A companhia já cobriu esses valores atrasados perante seus clientes, e agora aguarda o Judiciário e o Banco Central para retomada dos repasses e ressarcimento dos não efetuados”, disse a empresa.

Entrepay, Compliance Zero e a sombra do Master

A Entrepay não opera de forma isolada no ecossistema de casos ligados à crise do Grupo Entre, que acumulava reclamações de lojistas desde antes da liquidação. O grupo do empresário Antonio Carlos Freixo Junior foi citado na Operação Compliance Zero da Polícia Federal, em janeiro, num esquema de manipulação de preços liderado pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, apontado pelas autoridades como suspeito de ser o controlador oculto da Entrepay.

A empresa nega “vínculo societário, de controle ou de governança” com o ex-banqueiro. O grupo inclui ainda a Acqio Adquirência e a Octa SCD, todas em liquidação. As bandeiras Visa, Mastercard e Elo informaram acompanhar os desdobramentos sem detalhar posição sobre a disputa de recebíveis.

O que observar

A lacuna exposta pelo caso é estrutural: o arranjo de pagamentos brasileiro não tem mecanismo de garantia equivalente ao FGC para proteger lojistas e subadquirentes quando uma adquirente quebra. Enquanto bancos emissores têm salvaguardas jurídicas próprias para disputas de recebíveis, a cadeia abaixo opera sem proteção formal. Vale acompanhar se o BC ou o CMN aproveitarão a repercussão do caso para normatizar o tratamento de recebíveis em liquidação de adquirentes, especialmente no que diz respeito à hierarquia de credores e ao papel das subadquirentes nesse fluxo.

A presença de subadquirentes que voluntariamente cobriram os repasses para evitar perda de clientes também sinaliza um risco sistêmico até então pouco mapeado: esses atores absorvem o choque de liquidez sem ter sido parte do contrato original com a adquirente. Se o Judiciário reconhecer esse comportamento como crédito privilegiado, cria precedente relevante para o setor.

Fontes: Pipeline ValorAgência BrasilLet’s MoneyLet’s Money

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