O Nubank adicionou Diego Piacentini, ex-vice-presidente sênior da Amazon por 16 anos e ex-líder da Apple na Europa, ao seu conselho de administração. A nomeação reforça a estratégia de internacionalização da fintech, que acumula mais de 131 milhões de clientes no Brasil, México e Colômbia.
Trajetória de Diego Piacentini
| Posição |
Período |
| VP Sênior Internacional, Amazon |
2000–2016 (16 anos) |
| VP e GM Europa, Apple |
1987–2000 (13 anos) |
| Comissário Agenda Digital, Governo Italiano |
2016–2018 |
| Fundador, View Different (VC) |
Atual |
Fonte: Nubank
Da Amazon ao conselho do Nubank
Piacentini integrou o S-team da Amazon, o grupo de executivos sêniores que reportava diretamente a Jeff Bezos, supervisionando todas as operações internacionais de varejo na Europa, Ásia e mercados emergentes. Antes disso, construiu carreira de 13 anos na Apple, onde chegou a vice-presidente e gerente-geral da operação europeia. Formado em economia pela Universidade Bocconi de Milão, também atuou como comissário especial do governo italiano para a Agenda Digital, liderando projetos de modernização do setor público.
Atualmente, é fundador da View Different, firma de venture capital focada em transformação tecnológica, e atua como conselheiro do DoorDash, do The Economist Group e como consultor executivo da KKR. No Nubank, ele se junta a Anita Sands, David Marcus, Doug Leone, Jacqueline Reses, Luis Alberto Moreno, Thuan Pham, Rogério Calderón e David Vélez, que preside o conselho.
Expansão internacional em marcha acelerada
A chegada de Piacentini coincide com um momento de expansão agressiva. Em janeiro, o Nubank disputou a compra do Banco CGD Brasil para obter licença bancária no país e, nos Estados Unidos, avançou no processo de licenciamento bancário nacional junto ao OCC. A operação americana será liderada pela cofundadora Cristina Junqueira, com Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, como presidente do conselho local.
“A experiência de Diego em varejo, tecnologia e políticas públicas será de grande valor à medida que fortalecemos nossa presença internacional”, disse David Vélez, CEO e fundador do Nubank. O próprio Piacentini destacou o impacto da empresa na inclusão financeira de milhões de pessoas como motivação para integrar o conselho.
O que observar
A composição de conselhos em fintechs que buscam escala global é um sinal de maturidade institucional. Em episódio do podcast Let’s Money sobre o papel estratégico dos conselhos, especialistas apontaram que o conselho existe para abrir a mente do CEO, não para fiscalizá-lo, e que ciclos de liderança exigem perfis diferentes conforme a empresa evolui. Trazer executivos com experiência em operações internacionais de grande porte indica que a próxima fase exige mais do que crescimento de base: exige infraestrutura de governança compatível com reguladores de múltiplas jurisdições. Para fintechs latino-americanas em processo de internacionalização, o desafio é montar conselhos que equilibrem conhecimento local com experiência regulatória em mercados desenvolvidos.

Fontes: Nubank • Finsiders Brasil • Amazon • Let’s Money • Let’s Money Podcast