Entre os paulistas ouvidos pelo Instituto PHD, o Nubank foi a marca mais citada como banco de referência: 18,4% o colocaram nessa posição, à frente de Itaú (16,3%) e da Caixa (16,2%), num levantamento que o Valor publicou como conteúdo patrocinado. O recorte é o da principalidade bancária, indicador que capta qual instituição o cliente enxerga como central mesmo quando mantém relação com várias. Do líder ao terceiro colocado a diferença é de 2,2 pontos percentuais, folga que o próprio estudo classifica como disputa equilibrada.
Banco principal no estado de São Paulo, segundo o estudo
| Instituição |
Indicações como banco principal |
| Nubank |
18,4% |
| Itaú |
16,3% |
| Caixa Econômica Federal |
16,2% |
| Cinco primeiras juntas |
73,9% |
Números autodeclarados pelo estudo. Fonte: Instituto PHD, via Valor (Pulse Brand)
Como o estudo foi feito
A metodologia, informada pelo próprio instituto, se apoia em 2.143 entrevistas presenciais com moradores paulistas, sob amostragem aleatória e coordenação dos estatísticos da casa. A ficha técnica declara confiança estatística de 95% e erro que não ultrapassa 2,1 pontos percentuais. Como o material saiu em espaço pago do Valor, os percentuais valem como leitura do estudo comissionado, e não como apuração independente da nossa reportagem. Nesse desenho, as cinco marcas do topo reúnem 73,9% de todas as indicações de banco principal.
Liderança digital muda conforme a idade
A idade reconfigura por completo o retrato. O Nubank chega a 30,6% de menções como instituição central na faixa de 16 a 24 anos e sustenta 28,8% entre quem tem de 25 a 34, mas despenca para 6,8% no público de 60 anos ou mais. Nessa ponta mais velha o jogo é outro: quem lidera é a Caixa, com 23,5%; o Itaú aparece em seguida com 19,2% e, logo atrás, o Bradesco soma 17,6%. Para o instituto, a leitura é direta: os nativos digitais colocaram as fintechs no centro da relação bancária, enquanto os incumbentes seguem firmes junto aos clientes de mais idade.
O apreço pelo balcão físico não desapareceu. O estudo registra que 28,1% gostariam que a instituição central mantivesse rede de agências ou algum atendimento presencial, e outra parcela, de 21,5%, admite desconforto em operar apenas com bancos digitais. A fatia que topa levar toda a vida financeira para uma casa totalmente digital fica em 10,6%. Há ainda um forte fator de inércia: 54,2% se declaram sem disposição para trocar de banco de referência. O assunto também aparece em matéria da Let’s Money em que a Revolut trata a principalidade como algo que se disputa todos os dias.
Principalidade e lembrança são coisas distintas
Quando o estudo pergunta o porquê da escolha, o recebimento de salário, pagamento por trabalho ou pensão lidera a lista, lembrado por 14,7%; logo abaixo vem a comodidade no uso do dia a dia, com 14,1%. Há também um segundo ranking, o de lembrança espontânea (o chamado top of mind), aquele nome que salta primeiro à cabeça quando se fala em banco. Aí o jogo vira: o Itaú fica em primeiro, com 19,8%; a Caixa vem na cola, com 17,3%, e o Bradesco fecha com 14,8%, num pódio cujas cinco marcas reúnem 77,1% das respostas. O detalhe que chama atenção é o Nubank puxar o relacionamento e, ainda assim, ficar fora das cinco marcas mais lembradas de imediato. O descompasso conversa com números de outra fonte sobre os downloads de apps de bancos no Brasil, medidos antes.
O que observar
O retrato confirma um movimento que o setor já vinha desenhando: as fintechs fincaram o pé no cotidiano financeiro da geração mais nova, enquanto os bancos de balcão mantêm laço mais firme com quem tem mais idade. Para quem observa o mercado, fica a dúvida sobre se essa dianteira das marcas digitais no quesito relacionamento vai, com o tempo, virar também primeira lembrança, já que ser recordado e ser o banco do dia a dia se mostraram coisas separadas. Vale seguir de perto o peso que o atendimento de balcão ainda terá na decisão do cliente, e de que forma pesquisas bancadas por marcas dialogam com indicadores levantados de forma independente.
Fontes: Valor (Pulse Brand): estudo do Instituto PHD • Let’s Money: Para a Revolut, principalidade se disputa todos os dias • Let’s Money: Nubank e os downloads de apps de bancos no Brasil