A canadense Nuvei está em negociação avançada para comprar a Payoneer por cerca de US$ 2,7 bilhões, segundo a Reuters. Um acordo pode ser assinado em poucos dias, mas as conversas seguem em andamento e ainda podem não se concretizar. O movimento juntaria duas peças do mercado de pagamentos cross-border, com forte presença em vendedores de mercados emergentes.
A negociação Nuvei-Payoneer em números
| Item |
Valor |
| Preço da compra |
Cerca de US$ 2,7 bi (inclui o caixa da Payoneer) |
| Enterprise value implícito |
Cerca de US$ 2,3 bi |
| Clientes da rede da Payoneer |
Amazon, Walmart e eBay |
Termos da negociação informados pela Reuters. Fonte: Finextra
O que a Nuvei ganha com a Payoneer
A Nuvei ajuda lojistas a aceitar pagamentos, enquanto a Payoneer, sediada em Nova York, opera uma rede que envia dinheiro a fornecedores, freelancers e vendedores ao redor do mundo. Juntar as duas, aponta a Reuters, ampliaria a presença da Nuvei em mercados emergentes, onde a Payoneer construiu uma grande base de clientes, e daria acesso a grandes marketplaces como Amazon, Walmart e eBay.
A Nuvei não parte do zero nessa estratégia. A empresa já integrou o Visa Direct para acelerar pagamentos globais e levou pagamentos embarcados à Volkswagen no Brasil. A companhia fechou capital em 2024 em um negócio de US$ 6,3 bilhões liderado pela gestora de private equity Advent International.
A aposta da Payoneer em stablecoin
A Payoneer tem grande parte do negócio em vendedores online de mercados emergentes que atendem clientes nos EUA e na Europa, um fluxo que, segundo a Reuters, ganhou incerteza recente com a política tarifária dos EUA. Em paralelo, a empresa busca se reposicionar como infraestrutura regulada para moeda digital.
Em fevereiro de 2026, a Payoneer pediu uma licença de national trust bank nos EUA para impulsionar seu negócio de stablecoin. À época, a empresa afirmou que a licença era um “passo seguinte crítico”, em tradução livre, na estratégia de integrar capacidades de stablecoin ao seu ecossistema global de pagamentos.
O que observar
A consolidação no cross-border B2B mira justamente o elo que conecta marketplaces, vendedores e fornecedores em diferentes países. Quando uma adquirente de pagamentos compra uma rede de repasses a vendedores, o ganho está em fechar a ponta a ponta da jornada do dinheiro, da aceitação no lojista até o pagamento ao seller no outro lado do mundo. Para os vendedores de mercados emergentes que dependem dessas redes, vale acompanhar se a integração simplifica tarifas e prazos ou apenas concentra mais a infraestrutura em menos mãos.
O segundo fio a puxar é a moeda digital. A corrida de redes de pagamento por licenças bancárias voltadas a stablecoin sugere que a infraestrutura de liquidação está migrando para trilhos programáveis. Se isso se confirmar, a pergunta prática para quem opera pagamentos internacionais é quanto da margem de câmbio e do float hoje capturado por intermediários passa a ser disputado por quem controla a emissão e a custódia desses ativos. Negociações como essa ainda podem não se concretizar, mas sinalizam para onde o setor olha.
Fontes: Finextra • Reuters via BNN Bloomberg • Payoneer