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RegulaçãoFintech · EUA

EUA vão revelar por que fintechs não conseguem virar banco

OCC vai tornar públicas as decisões que negam charter a fintechs candidatas a virar banco. Mais de uma dúzia espera decisão, incluindo Itaú.

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O OCC, regulador bancário federal dos Estados Unidos, anunciou em orientação de fim de junho que vai tornar públicas as decisões de negação de charter para fintechs que querem virar banco. Mais de uma dúzia de aplicações está pendente na fila, incluindo a do Itaú, que pediu em março de 2026 para operar como banco nacional atendendo a 2,3 milhões de clientes.

Novos requisitos do OCC no processo de charter

Requisito O que muda
Publicidade das negações Passam a ser publicadas para dar clareza ao setor
Frameworks para de novo Governance, risco e compliance completos antes da análise
Novo pedido após negação Continua permitido, mas entra no registro público

Novos requisitos do OCC para pedidos de charter, junho de 2026. Fonte: OCC.

O que a orientação de junho realmente muda

O OCC apresenta a mudança como esclarecimento de procedimentos existentes, mas o efeito prático é uma barra mais alta para quem pede charter. A partir de agora, decisões de negação vão a público, e o regulador espera que o setor extraia dessas negativas um mapa de expectativas mais claro. Aplicações consideradas “materialmente deficientes” podem ser devolvidas antes da análise substantiva quando faltarem dados financeiros, biográficos ou de estrutura. Uma negação não bloqueia futuros pedidos, mas passa a compor o registro público do candidato.

A régua sobe especialmente para os chamados de novo, ou seja, candidatos a criar um banco nacional do zero. Eles precisarão chegar à submissão com produtos e serviços já definidos com particularidade, com sistemas de governança, gestão de risco e compliance capazes de sustentar essas atividades desde o começo. “Elas querem entregar soluções do século 21 para seus clientes e reconhecem a força e a vitalidade que um charter nacional oferece”, afirmou Rodney Hood, ex-comptroller interino, ao Competition Policy International em entrevista publicada em janeiro de 2026 (em tradução livre).

Quem está na fila, com Itaú, Nubank e BTG no radar

O apetite por charter voltou depois de anos parado. No Brasil, o gancho é o próprio pedido do Itaú: o banco quer operar como national bank nos EUA usando a base de R$ 300 bilhões do Itaú Private alocada fora do país, e mira atender 2,3 milhões de clientes. Nubank e BTG já operam por lá.

Pela série histórica do Let’s Money, cripto puxou a fila entre outubro de 2025 e maio de 2026. O Erebor recebeu aprovação do OCC em outubro de 2025 como banco digital voltado a cripto, seguido pela Coinbase, que obteve licença federal de trust bancário em abril de 2026 em meio a oposição do setor. A Mercury conseguiu aval do OCC em maio de 2026. O movimento reflete a leitura entre fintechs de que supervisão federal direta oferece controle mais longo do que depender só de sponsor-bank.

O que observar

A transparência das negações corta os dois lados. Do lado positivo, calibra expectativa antes de gastar tempo e dinheiro em pedido inviável. Do lado negativo, transforma cada rejeição em item de registro público, disponível a investidores, parceiros e concorrentes. Vale acompanhar como fintechs candidatas vão redesenhar governance e compliance antes de submeter, e se sponsor-bank providers vão ver reversão de fluxo, com mais clientes preferindo o caminho parceria em vez do custo reputacional de um pedido malfeito. Reguladores em outros mercados também tendem a observar o padrão americano, e vale ficar de olho se o Banco Central brasileiro sinaliza algum eco no calibre de suas próprias autorizações prudenciais.

Fontes: PYMNTSOCCLet’s Money: Itaú pede licença nos EUALet’s Money: Coinbase obtém licença federalLet’s Money: Mercury vira banco

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