O ecossistema Omni&Co, cuja operação Omni Banco é tradicional no crédito para a mobilidade das classes C, D e E, criou uma nova marca, a i9 Auto, para disputar o financiamento de veículos com até 10 anos de uso, segmento hoje dominado por BV, Pan e Santander. A aposta chega com aprovação de crédito em segundos e taxa média perto de 2%, mirando o público A, B a C+.
Omni Banco x i9 Auto: o que muda na nova marca
| Aspecto |
Omni Banco |
i9 Auto |
| Público |
Classes C, D e E |
Público A, B a C+ |
| Aprovação de crédito |
~70% por entrevista presencial |
Em segundos, via IA e open finance |
| Taxa média |
Cerca de 3% |
Perto de 2% |
| Segmento |
Mobilidade (classes C, D e E) |
Veículos até 10 anos de uso |
Comparativo Omni Banco x i9 Auto, segundo o ecossistema Omni&Co. Fonte: Valor Econômico
A briga por um nicho de poucos players
Foram dois anos de estudo, com apoio de uma consultoria externa, até o ecossistema Omni&Co decidir subir de faixa de renda. No Omni Banco, onde a maioria dos clientes não tem renda fixa, quase 70% passam por entrevista presencial. Na i9, usando dados de mercado e do open finance, a aprovação do crédito sai em poucos segundos. A precificação também muda: taxa média perto de 2%, contra os cerca de 3% praticados pela marca original, com a expectativa de que a inadimplência da i9 fique em um terço da do Omni Banco.
“Só lançamos quando tivemos certeza de que temos uma oferta de valor melhor que a dos rivais”, disse Heverton Peixoto, CEO do Omni&Co. Segundo ele, o nicho de usados premium é dominado por poucos players que, em momentos de turbulência, “puxam o freio de mão”, o que pode abrir espaço para a i9 no balcão dos lojistas. A meta é operar em 120 pontos ainda em 2026, começando pela capital e interior de São Paulo e pelo Oeste do Paraná, em parceria com 50 grupos de concessionárias, antes de escalar nacionalmente a partir de 2027.
Aposta em meio à inadimplência recorde
O lançamento acompanha o aquecimento dos seminovos: no acumulado dos primeiros cinco meses de 2026, as vendas somaram 7,49 milhões de veículos, alta de 8,4% sobre o mesmo período de 2025, segundo a Fenauto. Do outro lado, a qualidade do crédito preocupa: o índice de inadimplência no financiamento automotivo chegou a 6,5% em maio, o maior nível desde novembro de 2012, num cenário em que a inadimplência do crédito bate recorde mesmo com o Desenrola.
“É o melhor momento de mercado para lançarmos a i9? Não, mas é o melhor momento para o Omni”, afirmou Peixoto. Ele aponta que a entrada de carros chineses vem engordando o estoque de usados, um segmento que, segundo o executivo, “tem oito vezes o tamanho do mercado onde o Omni atua”, movimento que se soma à disputa de fintechs e financeiras por esse consumidor, como no avanço de plataformas que entram na venda de carros usados. O ecossistema Omni&Co, que teve lucro de R$ 161 milhões em 2024 e prejuízo de R$ 3,313 milhões em 2025 após antecipar resultado com venda de carteira, projeta crescer 25% a carteira neste ano e chegar a R$ 20 bilhões até 2030. Um evento de liquidez, via IPO ou sócio estratégico, não deve ser buscado antes disso.
O que observar
A jogada testa se um crédito aprovado em segundos, apoiado em dados de open finance, consegue sustentar a promessa de inadimplência menor num segmento de tíquete mais alto e cliente de maior renda. Financeiras especializadas e fintechs de crédito que decidem subir de faixa de público assumem um risco de calibragem: o modelo de análise construído para um perfil não migra automaticamente para outro.
Vale acompanhar se a retração dos grandes bancos em momentos de aperto abre espaço duradouro para entrantes ou apenas uma janela curta, e como cada real originado se comporta com a inadimplência do setor no maior patamar em mais de uma década. O teste prático é a originação nos próximos trimestres, quando os primeiros contratos começam a maturar.
Fontes: Valor Econômico • Fenauto • Let’s Money • Let’s Money