O Open Finance cruzou a marca de 200 milhões de consentimentos e processa 40 bilhões de chamadas por mês, mas ainda não emplacou entre as empresas. A executiva do Open Finance Brasil, Ana Paula Domenici, admite que conectar contas de negócios com vários sócios é burocrático e promete uma solução para 2026.
Open Finance em números
| Indicador |
Valor |
| Consentimentos |
200 milhões |
| Brasileiros usando |
pelo menos 112 milhões |
| Chamadas por mês |
40 bilhões |
| Participantes da infraestrutura |
780 |
Números do Open Finance citados pela executiva do Open Finance Brasil em entrevista. Fonte: Convergência Digital
Por que as empresas ficaram para trás
Para a pessoa física, o consentimento é quase imediato: um toque autoriza o compartilhamento de dados entre instituições. Para a pessoa jurídica, a história é outra. Quando a conta pertence a uma empresa com mais de um dono, cada autorização precisa passar pela burocracia de conectar contas de negócios com vários sócios, o que trava a adesão mesmo entre quem se beneficiaria do sistema.
Os números mostram o tamanho do desafio. Entre as empresas, o Open Finance somava, em 2025, 403,2 mil consentimentos como receptoras de dados e 406,7 mil como transmissoras, uma fração diante dos 200 milhões totais. “Estamos desenvolvendo uma solução que fica pronta ainda esse ano. A implementação vai depender dos 780 participantes da infraestrutura”, afirmou Domenici, ao detalhar o plano para destravar o acesso das empresas.
A escala que o sistema já alcançou
O contraste com a base geral ajuda a entender a aposta. O Open Finance saltou de quando o sistema passou de 100 milhões de consentimentos para os 200 milhões atuais, marca que coloca o Brasil à frente de mercados como o Reino Unido na maturidade da infraestrutura. “Estão sendo feitas 40 bilhões de chamadas por mês”, afirmou a executiva, em referência ao volume de tráfego que circula entre os 780 participantes.
A solução para empresas, segundo Domenici, terá como missão desburocratizar o consentimento, mas terá tempo de implementação ao longo do ano. “A solução ficará pronta esse ano, mas temos um tempo de implementação. São 780 participantes da infraestrutura, mas vamos fazer algo para ampliar o open finance às empresas”, disse. A expectativa, afirma, é que a infraestrutura fique invisível ao usuário. “Quero que o open finance permita às pessoas fazer a gestão de suas contas e que traga a cidadania financeira”, preconizou.
O que observar
O gargalo das empresas é menos de tecnologia e mais de fluxo de autorização: quando uma conta tem múltiplos responsáveis, cada compartilhamento exige um desenho de consentimento que contemple assinaturas conjuntas, alçadas e poderes societários. Vale acompanhar se a nova camada prometida para este ano reduz essa fricção sem criar etapas extras, ponto em que ecossistemas de dados costumam perder adesão.
A pergunta que fica é se a infraestrutura consegue chegar ao patamar de invisibilidade citado pela executiva. Para os participantes que precisam implementar a mudança, o desafio é operacional e tem prazo: a solução depende da adoção pelos quase oitocentos integrantes da rede, e o ritmo dessa implementação vai definir quando o segmento corporativo deixa de ser a exceção dentro de um sistema que já move dezenas de bilhões de chamadas por mês.
Fontes: Convergência Digital • Agência Brasil • Let’s Money • Let’s Money • Let’s Money