A OpenAI passou a oferecer seu modelo de cibersegurança GPT-5.5 Cyber a nove grandes bancos do Reino Unido. O movimento, divulgado pela BBC, expõe a divisão com a Anthropic, que mantém o concorrente Mythos restrito a um grupo pequeno de empresas dos Estados Unidos.
Quem tem acesso a cada IA de cibersegurança
| Modelo |
Empresa |
Acesso |
| GPT-5.5 Cyber |
OpenAI |
Bancos do Reino Unido, da Europa, do Japão e do Canadá |
| Mythos |
Anthropic |
Grupo restrito de empresas dos Estados Unidos |
Acesso ao GPT-5.5 Cyber e ao Mythos. Fonte: Finextra
Como o Mythos puxou o gatilho
A escolha da OpenAI segue meses de tensão regulatória. A Anthropic lançou o Claude Mythos em abril, dentro do programa fechado Project Glasswing, com acesso para cerca de 40 empresas, todas dos Estados Unidos. Entre elas estão Amazon, Apple, Google, Microsoft, JPMorgan, Nvidia, Cisco e CrowdStrike. O modelo identificou mais de dez mil vulnerabilidades de severidade alta ou crítica em sistemas operacionais, navegadores e ferramentas corporativas.
Em 10 de abril, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, convocaram os CEOs de Citi, Morgan Stanley, Bank of America, Wells Fargo e Goldman Sachs para tratar do risco. Em 26 de maio, o Banco Central Europeu reuniu mais de 300 representantes do setor financeiro com pauta semelhante, conforme já reportado pelo Let’s Money. Andrew Bailey, presidente do Bank of England e do Financial Stability Board, segue sem destravar o acesso britânico ao Mythos.
Nove bancos no clube da OpenAI
NatWest e Santander já tinham acesso ao GPT-5.5 Cyber por acordos anteriores. Em 2025, o Santander firmou parceria ampla com a OpenAI para tornar-se um banco orientado por IA. Lloyds, HSBC e Nationwide entram agora, levando o programa a nove instituições britânicas. A OpenAI também distribui o modelo a bancos da Europa, do Japão e do Canadá, em paralelo ao avanço que já havia rolado nos megabancos japoneses. Em Wall Street, Jamie Dimon, do JPMorgan, chamou o Mythos de “arma nuclear” nos bancos.
O objetivo, segundo a OpenAI, é colocar a ferramenta “nas mãos das pessoas certas”. A frase é de George Osborne, ex-chanceler do Reino Unido e hoje executivo da empresa, em entrevista à BBC. Osborne afirmou que a OpenAI não quer “esconder ou guardar [o 5.5 Cyber] para si” e separou “as forças que estabelecem ordem em nossas democracias” das que pretendem “perturbar ou cometer crimes”.
O que observar
O ponto seguinte é o tamanho da assimetria de acesso. Bancos dentro dos programas preferenciais ganham janela para fechar brechas antes que cheguem ao mercado aberto. Bancos fora correm o risco de ver vulnerabilidades documentadas circulando na internet com prazo de patch insuficiente. Autoridades monetárias que ainda não negociaram janelas equivalentes para suas jurisdições tendem a ser a próxima frente de pressão.
Se essas ferramentas passarem a ser tratadas como infraestrutura crítica de defesa, a briga seguinte é regulatória: sobre quem decide a velocidade de liberação, em que mercados e com qual contrapartida. Para sistemas com código legado de décadas em operação corrente, o tempo entre uma falha descoberta lá fora e a janela de patch interna define o tamanho do risco operacional.
Fontes: Finextra • Cybernews • CNBC • FStech • Let’s Money: BCE pressiona bancos europeus • Let’s Money: Japão arma megabancos • Let’s Money: Dimon alerta sobre Mythos