A Oracle firmou parceria estratégica com a Quadra Softworks e integrou a plataforma da fintech brasileira à Oracle Cloud Infrastructure (OCI). Com o movimento, a Quadra entra no Oracle AI Ecosystem e passa a oferecer uma camada de Agentic Finance sobre tesouraria, ALM, FP&A e controladoria de bancos e empresas.
O que a parceria Oracle + Quadra monta
Camada
O que entra
Software Quadra
Tesouraria, ALM, FP&A, controladoria
Infraestrutura
Oracle Cloud Infrastructure (OCI)
IA
Agentic Finance, com agentes que interpretam dados e recomendam ações
Base de clientes
15 instituições atendidas
Projeção de crescimento
35% até o fim de 2026
Combinação de software especializado em áreas financeiras críticas com OCI e agentes de IA. Fonte: TI Inside
O que muda com a entrada no Oracle AI Ecosystem
A integração permite que a plataforma da Quadra consolide dados financeiros, automatize processos e opere sobre a mesma infraestrutura global que a Oracle usa para aplicações críticas de dados e IA. A proposta incorpora uma camada de Agentic Finance, em que agentes de IA interpretam dados, estruturam análises e geram recomendações para apoiar decisões em tempo real, segundo o anúncio da parceria.
“A entrada no Oracle AI Ecosystem amplia nossa capacidade de levar ao mercado uma arquitetura financeira moderna, integrada e escalável”, afirmou Douglas Alencar Gentil, CEO da Quadra Softworks. A fintech, que é especializada em operações financeiras complexas, atende hoje 15 instituições e projeta crescimento de 35% até o fim deste ano.
O posicionamento técnico da Quadra já havia sido descrito pelo próprio Marcos Guirro, diretor executivo da companhia, durante a Febraban Tech 2025, em entrevista ao Let’s Money Podcast. Na época, ele explicou que a plataforma “faz todo o cálculo de PNL para tesourarias, dessa forma, informações para CFOs, para tesoureiros, para C-levels como um todo” e destacou a capacidade de integrar com sistemas legados de bancos. A parceria com a Oracle coloca essa mesma lógica sobre uma nova base de nuvem e de IA.
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A adoção de IA em áreas financeiras ganha corpo
O movimento ocorre em meio à aceleração da adoção de inteligência artificial no setor financeiro. Segundo levantamento CFO Survey da Deloitte citado pela Quadra, 74% dos entrevistados pretendem adotar IA Generativa nas atividades financeiras, e os investimentos globais em IA no setor financeiro devem alcançar US$ 126,4 bilhões em 2028, impulsionados pela busca por automação, análise preditiva e redução de riscos operacionais.
No Brasil, a parceria mira um ponto de dor estrutural. Apesar dos avanços em cloud e sistemas corporativos, a Quadra aponta que funções críticas como tesouraria, ALM, FP&A e controladoria ainda operam de forma fragmentada em muitas organizações, com dependência de planilhas, baixa integração de dados e limitação na resposta a mudanças de mercado.
O que observar
A aposta é menos sobre substituir planilhas e mais sobre colocar agentes de IA dentro de áreas que, historicamente, eram o último bastião de controle manual do CFO. Vale acompanhar se instituições financeiras de médio porte, onde tesouraria e ALM costumam depender de times pequenos com alta sobrecarga, vão acelerar adoção de agentes antes dos grandes bancos, que tendem a ter estoque maior de sistemas legados para desembaraçar.
A pergunta que fica é sobre o ritmo de governança. Agentic Finance promete recomendações em tempo real sobre liquidez, funding e risco operacional, mas áreas financeiras críticas trabalham sob exigência regulatória pesada e rastreabilidade de decisão. O teste será como fornecedores de software vão resolver o trade-off entre autonomia do agente e audit trail exigido por reguladores, auditores e conselho. Plataformas que conseguirem entregar os dois ao mesmo tempo devem ganhar a janela.