O braço argentino do Banco do Brasil vai reforçar sua operação de varejo no país vizinho. O Banco Patagonia comunicou ao órgão regulador do mercado de capitais argentino que acertou a compra da carteira de varejo do concorrente Banco Industrial, conhecido como Bind. Entram no pacote 28 agências e quase 200 mil clientes, mas a conclusão ainda depende de condições a serem cumpridas.
Patagonia compra o varejo do Bind: os números
| Item |
Dado |
| Agências transferidas |
28 (exceto a da Av. Santa Fé, 880) |
| Clientes absorvidos |
quase 200 mil |
| Rede do Patagonia |
de 200 para 228 agências |
| Valor (não confirmado) |
cerca de US$ 60 mi, segundo o El Cronista |
| Implementação prevista |
janeiro de 2027, sujeita a aprovações |
Dados da transação Patagonia-Bind. Fonte: Valor Econômico
O que o Patagonia leva e o que o Bind mantém
No aviso ao regulador, o Patagonia descreve a operação como a passagem de ativos e passivos ligados ao varejo: além dos pontos de atendimento e dos funcionários, migram as contas e os produtos dos clientes dessas unidades. São 28 endereços no total, com uma ressalva: a agência da Avenida Santa Fé, 880, em Buenos Aires, segue nas mãos do banco vendedor. Nenhum dos lados revelou quanto vale o negócio; o jornal El Cronista estima algo em torno de US$ 60 milhões, cifra que as partes não confirmaram.
Com a aquisição, o Patagonia ganha capilaridade e uma leva de novos correntistas no mesmo banco que já levou o Pix à Argentina. A rede passa de 200 para 228 agências, segundo a imprensa local, e a migração deve se completar em janeiro de 2027, ainda condicionada ao aval do Banco Central argentino, das autoridades de concorrência e de outros órgãos. O Banco do Brasil não comentou o negócio até a publicação desta reportagem.
O Bind aposta em banco corporativo e BaaS
Para o vendedor, sair do varejo é uma decisão de foco. “Esta operação nos permite concentrar toda a nossa energia e capital na construção do Bind do futuro. Estamos realocando nossos recursos para investir fortemente no segmento empresarial (PMEs, Mega e Corporativo) e no ecossistema digital, onde agregamos nosso maior valor e onde vemos nossa principal oportunidade de crescimento”, diz em nota Andrés Prida, presidente do Bind. O grupo, controlado pela família Meta, quer canalizar capital para clientes empresariais e para o modelo de banking as a service (BaaS), no qual uma instituição licenciada aluga sua estrutura financeira a outras marcas.
| Ator |
Posição no negócio |
| Banco Patagonia (BB) |
Compra o varejo e amplia rede e base de clientes na Argentina |
| Banco Industrial (Bind) |
Vende o varejo e migra para banco corporativo e BaaS |
| Inter |
Estreia na Argentina apoiado no BaaS do Bind |
Entre esses clientes está o Inter, que apostou na estrutura do Bind para estrear no mercado argentino e que vem expandindo sua presença internacional.
O que observar
A operação junta duas apostas que costumam andar separadas: um banco estrangeiro que engorda a operação de varejo em um mercado vizinho e um banco local que troca a agência física pela infraestrutura digital. Vale acompanhar se a consolidação de rede física ainda é vista como ativo estratégico por bancos com controle estrangeiro na região, ou se o interesse se concentra em base de clientes e capilaridade.
O calendário depende dos reguladores. Como a conclusão está sujeita a condições precedentes e a aval de autoridades de defesa da concorrência e do banco central local, a pergunta operacional é quanto tempo o processo leva até a migração efetiva de contas e agências.
Fontes: Valor Econômico • Infobae • El Cronista • Let’s Money • Let’s Money