Ir para o conteúdo

Open FinanceOpen Finance · Open Finance

Open Finance: 81,9% ouviram falar, só 21% entendem

Pesquisa da AtlasIntel encomendada pela Zetta mostra que 81,9% dos entrevistados já ouviram falar do Open Finance, mas só 21% dizem entender bem o sistema.

por

· 4 min

Atualizado em

Imagem: Magnific

Entre os 1.974 entrevistados pela AtlasIntel a pedido da Zetta, associação de instituições financeiras digitais, 81,9% afirmam já ter ouvido falar do Open Finance, mas só 21% dizem conhecer bem e entender os principais pontos. Em 2024, esse patamar ficava entre 44% e 45%. O sistema ficou mais conhecido no Brasil, mas segue pouco compreendido.

O que os entrevistados dizem saber sobre o Open Finance

Conhecimento declarado % dos entrevistados
Conheço bem e entendo os principais pontos 21%
Conheço algumas características, mas não em profundidade 37,4%
Já ouvi falar, mas não sei quase nada 23,4%
Nunca ouvi falar 18,1%

Pesquisa AtlasIntel encomendada pela Zetta com 1.974 adultos, entre 20 e 27 de julho de 2026, margem de erro de 2 pontos percentuais. Fonte: Zetta

Conhecimento sobre o Open Finance cresce mais rápido que o entendimento

O levantamento ouviu 1.974 adultos entre 20 e 27 de julho de 2026, com nível de confiança de 95% e margem de erro de 2 pontos percentuais. A parcela que se considera bem informada sobre o funcionamento do sistema saiu de 5%, em 2024, para 21%. No outro extremo, quem nunca tinha ouvido falar caiu de 55% para 18,1%. A pesquisa integra o estudo da Zetta sobre os cinco anos do sistema, noticiado pelo Valor Econômico.

A entidade que encomendou o estudo tem interesse direto na agenda: no próprio documento, Nubank, Mercado Pago e PicPay aparecem como as associadas com maior protagonismo no ecossistema. O sistema chegou a quase 240 milhões de consentimentos ativos em julho de 2026, contra 41,9 milhões em dezembro de 2023, com cerca de 800 instituições participantes. Em agosto, o Let’s Money reportou a nova fase do Open Finance e seu desafio de governança.

A percepção de vantagem continua mais coletiva do que individual. Na escala de 1 a 5 aplicada pela AtlasIntel, o saldo líquido ficou em 13,1 pontos positivos para o impacto pessoal e em 18,5 pontos para o impacto na sociedade. Em 2024, 61% dos entrevistados que já haviam ouvido falar do tema diziam que o sistema não fazia diferença para eles pessoalmente.

Portabilidade salarial lidera a lista de desejos dos entrevistados

Questionados sobre quais funcionalidades gostariam de ter, com até três opções, 41,7% escolheram decidir em qual banco receber o salário, independentemente da escolha do empregador. Depois vieram alertas de transações suspeitas em contas de outros bancos, com 32%, e movimentar diferentes contas a partir do banco de preferência, com 31,9%.

Entre os benefícios associados ao sistema, a portabilidade de serviços ficou em primeiro (40,4%), à frente da agregação de saldos e contas em um aplicativo (37,5%) e do acesso a crédito ou aumento de limite (35,6%), que liderava em 2024. Na parte de segurança, 47% não sabiam que é possível cancelar o compartilhamento a qualquer momento e 32% desconheciam que os dados só são compartilhados com as instituições autorizadas. Sobre tarifa cobrada entre bancos pelo compartilhamento autorizado pelo cliente, 81,2% discordam.

Do lado de quem opera, o desafio é transformar dado em produto. Em entrevista ao podcast Let’s Money, em janeiro de 2026, Natalia Cruz, Head de Open Finance da Sensedia, afirmou que “O Open Finance é realmente uma forma de você conhecer melhor o seu cliente, de você adotar estratégias novas”. Em março de 2026, o Let’s Money reportou que só 37% dos brasileiros usavam o sistema, apesar da promessa de reduzir juros e organizar contas.

O que observar

Levantamento encomendado por entidade que representa instituições com interesse direto na agenda tende a iluminar as perguntas caras a esse grupo, o que não invalida os números, mas ajuda a ler a hierarquia dos temas testados. A distância entre ouvir falar e entender é o dado mais operacional: se ela persistir, campanhas genéricas de educação financeira tendem a render menos que demonstrações concretas de economia no bolso do cliente.

Vale acompanhar se o desconhecimento sobre salvaguardas continua alto, já que cancelar o compartilhamento e escolher a instituição receptora são os mecanismos de controle que sustentam a confiança no Open Finance. A pergunta seguinte é se novas funcionalidades, sobretudo as ligadas à portabilidade, conseguem encurtar o intervalo entre o benefício percebido para a sociedade e o percebido no próprio bolso.

Fontes: Valor EconômicoZettaLet’s Money Podcast

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasNotícias
Ver a editoria

Mais artigos de Notícias

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.