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Caso MasterRegulação · Banco Master

PF investiga previdência de SP com R$ 13 mi no Master

A Operação Moral Hazard mira o IPREM Posse, autarquia de previdência de SP que aportou R$ 13 mi em LFs do banco Master sem cobertura do FGC.

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· 3 min

Atualizado em

Foto: Reprodução / Gov.com.br

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (23) a Operação Moral Hazard para apurar a aplicação irregular de R$ 13 milhões do IPREM Posse, autarquia de previdência dos servidores de Santo Antônio de Posse (SP), em Letras Financeiras do banco Master com vencimento em 2033 e 2034 sem cobertura do FGC.

Aportes do IPREM Posse no banco Master

Data Valor Observação
Out/2023 R$ 6 milhões 6,48% do patrimônio (limite: 1%)
Abr/2024 R$ 5 milhões Sem FGC
Mai/2024 R$ 2 milhões Sem FGC
Total R$ 13 milhões LFs vencendo em 2033 e 2034

Aportes do IPREM Posse no banco Master. Fonte: Jovem Pan

A operação e os investigados

A PF cumpriu seis mandados de busca e apreensão nas cidades de Santo Antônio de Posse e Mogi Mirim. A 9ª Vara Federal de Campinas determinou medidas cautelares de afastamento de função pública por 180 dias e indisponibilidade de bens contra os investigados, que incluem o ex-diretor-presidente do IPREM Posse, uma ex-supervisora de gestão e três membros do comitê de investimentos da autarquia.

“A investigação teve início a partir de informações que apontavam possíveis irregularidades na aplicação de, aproximadamente, R$ 13 milhões em Letras Financeiras emitidas por um banco privado”, informou a PF em nota.

Letras sem garantia, vencimento em 2033

Os aportes violaram a Resolução CMN 4.963/2021 e a Portaria MTP 1.467/2022, que impõem regras de segurança, liquidez e diversificação a regimes próprios de previdência. O primeiro aporte, de R$ 6 milhões em outubro de 2023, comprometeu 6,48% do patrimônio do instituto, mais de seis vezes o limite de 1% permitido por uma única aplicação. As LFs não tinham cobertura do Fundo Garantidor de Créditos e vencem apenas em 2033 e 2034, comprometendo a liquidez do instituto por mais de uma década.

O caso se insere num quadro mais amplo de exposição de regimes próprios de previdência ao banco. Dezoito RPPS de Estados e municípios aportaram R$ 1,867 bilhão em LFs do banco Master entre outubro de 2023 e dezembro de 2024. O banco teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, impactando detentores de títulos sem cobertura do FGC. O caso Master já prejudicava a reputação do setor financeiro antes da operação desta semana.

O que observar

O caso de Santo Antônio de Posse é um entre dezoito institutos que fizeram aportes similares em um banco hoje em liquidação. A questão de escala é direta: quantos dos outros regimes próprios municipais e estaduais compraram instrumentos de longo prazo com concentração acima dos limites regulatórios e sem garantia do FGC, e se as investigações vão alcançar esses casos.

A arquitetura de supervisão dos RPPS municipais é fragmentada entre instâncias da previdência e do sistema financeiro. A operação de quinta-feira expõe uma lacuna: instrumentos de renda fixa privados de longo prazo podiam ultrapassar limites de concentração sem acionar mecanismo de alerta automático nos órgãos supervisores. Acompanhar se o episódio vai provocar revisão das normas que regulam as aplicações de regimes próprios de previdência e reforço dos controles sobre institutos de menor porte.

Fontes: O GloboJovem PanBM&C NewsLet’s MoneyLet’s Money

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