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PF mira gestores por R$ 400 mi perdidos no Master

Operação Zona Cinzenta apura gestão temerária e fraudulenta em investimentos do fundo de previdência do Amapá em títulos do banco liquidado.

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Foto: Polícia Federal/divulgação

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (6) a Operação Zona Cinzenta para investigar aportes de R$ 400 milhões do fundo Amapá Previdência (Amprev) em letras financeiras do Banco Master, liquidado em novembro de 2025 pelo Banco Central. A ação apura suspeitas de gestão temerária e fraudulenta na aplicação de recursos destinados a aposentadorias e pensões de servidores públicos estaduais.

Alvos da operação e decisões suspeitas

Conforme reportou o portal Valor Econômico, estão na mira da PF o diretor-presidente da Amprev, Jocildo Silva Lemos, além de Jackson Rubens de Oliveira e José Milton Afonso Gonçalves, integrantes do comitê de investimentos. Os três votaram favoravelmente às aplicações em três reuniões realizadas em julho de 2024. Agentes federais cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em Macapá para recolher documentos que possam esclarecer como as operações foram aprovadas e executadas.

A operação é um desdobramento local da Compliance Zero, investigação que levou à liquidação do Master em 18 de novembro de 2025 após identificar fraudes bilionárias. O banco teria desviado cerca de R$ 12 bilhões por meio de triangulações que criavam ativos fictícios e inflavam artificialmente sua situação financeira. O esquema incluía a emissão de títulos sem lastro e operações que caracterizavam uma pirâmide financeira.

Fundos de previdência na mira

O Amprev é o segundo maior investidor público no Master, atrás apenas do Rioprevidência do Rio de Janeiro, que aportou R$ 970 milhões e também foi alvo de operação da PF em 23 de janeiro de 2026. Ao todo, 18 fundos de previdência de estados e municípios investiram R$ 1,9 bilhão em letras financeiras do banco entre outubro de 2023 e dezembro de 2024.

O problema desses investimentos é duplo: além do banco ter sido liquidado por fraudes, as letras financeiras não têm cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. Isso significa que os recursos só poderão ser recuperados durante o processo de liquidação do Master, que pode se arrastar por anos e provavelmente não resultará no ressarcimento integral dos valores investidos.

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