O PicPay recebeu a aprovação regulatória final do Banco Central para comprar a seguradora Kovr. Com o aval do BC, somado aos que já vieram do Cade e da Susep, a fintech destrava a última etapa para reforçar sua operação de seguros, hoje voltada a uma base que a empresa diz superar 68 milhões de clientes.
As três aprovações da compra da Kovr
| Órgão |
Papel |
Status |
| Cade |
Análise concorrencial |
Aprovado |
| Susep |
Regulação de seguros |
Aprovado |
| Banco Central |
Aval regulatório final |
Aprovado |
Aprovações regulatórias da compra da Kovr pelo PicPay. Fonte: Valor Econômico
PicPay fecha a rota regulatória da Kovr
O aval do Banco Central era a peça que faltava. O Cade já havia aprovado a compra da Kovr pelo PicPay, e a Susep, que regula o setor de seguros, também tinha liberado a operação. Com a decisão do BC, a fintech conclui o trâmite regulatório e passa a poder integrar a seguradora à sua plataforma.
Segundo o PicPay, a Kovr agrega capacidades de produto, tecnologia e operação em diversas linhas de seguros, além de uma carteira de clientes consolidada. “Esta aprovação representa um marco importante no fortalecimento da plataforma de seguros do PicPay para mais de 68 milhões de clientes”, disse em nota Eduardo Chedid, CEO do PicPay. Segundo ele, as capacidades da Kovr são “altamente complementares” ao que a fintech construiu.
Fintechs avançam sobre o mercado de seguros
O movimento coloca o PicPay numa disputa que ganhou tração entre plataformas digitais com base grande de usuários. Distribuir seguro para dentro de um super app é uma forma de aumentar receita por cliente sem depender só de crédito e pagamentos, e a corrida vem se acelerando: o Mercado Pago lançou quatro novos seguros para seus 11 milhões de clientes, mirando o mesmo tipo de venda casada com a conta digital.
Para o PicPay, comprar uma seguradora em vez de apenas revender apólices de terceiros muda a economia do negócio, porque internaliza produto e margem. A fintech chega ao movimento em expansão: o PicPay lucrou R$ 169 milhões no primeiro trimestre de 2026, com receita 70% maior na comparação anual.
O que observar
O ponto a acompanhar é como plataformas de pagamento com grandes bases de usuários passam a competir com seguradoras tradicionais e corretoras na distribuição. Quando a mesma empresa controla a conta digital, o histórico de gastos e agora a fábrica de produto de seguro, o custo de aquisição do cliente tende a cair e o cross-sell fica mais barato. A pergunta é se a régua de sinistralidade e de precificação de risco acompanha o ritmo da distribuição embarcada, um terreno em que a experiência das plataformas digitais ainda é curta.
Vale observar também o lado regulatório. À medida que fintechs verticalizam seguros dentro de super apps, o supervisor do setor tende a olhar com mais atenção para venda casada, transparência de coberturas e proteção do consumidor. O teste prático será se a promessa de seguro mais simples e integrado se traduz em produtos que o cliente entende e usa, ou em apólices empurradas junto com a conta.
Fontes: Valor Econômico • Let’s Money