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Projeçõesbanco central · BC

PicPay revisa Selic para 13% e vê dólar a R$ 5,35

PicPay reviu o cenário e projeta Selic a 13% no fim do ciclo, ante 12% antes. Dólar deve fechar 2026 em R$ 5,35; Copom corta 0,25pp nesta semana.

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Atualizado em

Foto: Divulgação

O PicPay revisou seu cenário-base para a política monetária e projeta a Selic a 13% ao final do ciclo de ajuste, ante 12% na estimativa anterior. A mudança reflete a postura mais cautelosa do Banco Central diante das incertezas geopolíticas e ocorre às vésperas da reunião do Copom, marcada para esta semana com corte de 0,25 ponto percentual já precificado.

Revisão do cenário PicPay para 2026

Variável Projeção anterior Nova projeção
Selic (fim do ciclo) 12% a.a. 13% a.a.
Dólar (dez/2026) R$ 5,60 R$ 5,35
Corte Copom (abr/2026) n.d. -0,25 p.p.

Projeções divulgadas ao Valor Econômico em 27/04/2026. Fonte: Valor Econômico

BC mais cauteloso no compasso externo

Para a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, a revisão não significa precipitação no ciclo de cortes, mas o reconhecimento de um choque de origem externa. “O Banco Central está em um caminho de atenção para não flertar com risco inflacionário adicional. Hoje, o que está causando o choque [nos preços] está fora do domínio da autoridade monetária, que são os conflitos no exterior.

Enquanto as condições externas forem incertas, o BC precisa ter uma postura de cautela”, afirmou. A projeção do PicPay está alinhada ao consenso do mercado: o Boletim Focus também revisou a Selic para próximo de 13% em 2026 após a escalada das incertezas geopolíticas.

Do lado da atividade, Benedito vê espaço para o BC cortar sem risco inflacionário interno: “O efeito da política monetária na margem assusta um pouco. Estamos vendo a atividade ceder. Talvez em uma velocidade não tão agradável. As condições estão ficando ruins a cada leitura. O que nos preocupa é que uma hora essa magnitude de desaceleração vai acentuar.

Então, pelo lado da atividade, o BC teria condições de fazer isso, sem risco algum.” A expectativa da fintech para esta semana é de um corte de 0,25 ponto no Copom, com comunicado que deve reforçar o compromisso com a desinflação no longo prazo.

Dólar mais forte, mas sem overshooting

O PicPay também revisou a projeção de câmbio: a estimativa anterior era de dólar a R$ 5,60 em dezembro; agora, a casa espera R$ 5,35. O movimento do câmbio atual, abaixo de R$ 5 por dólar, deve ser revertido ao longo do ano por dois vetores. O economista Matheus Pizzani aponta o Fed como fator central: “Se a ideia de prosseguir com um enxugamento do balanço patrimonial por meio do ‘quantitative tightening’, poderemos ver um fortalecimento do dólar no curto prazo. Seria algo de correção mesmo, não uma tendência de médio e longo prazo.”

A dinâmica sazonal reforça o cenário: no primeiro semestre, o fluxo comercial de exportação de soja e o fluxo financeiro de investimentos em carteira tendem a fortalecer o real. No segundo semestre, os dois vetores se invertem. O PicPay, porém, descarta um overshooting fiscal ou eleitoral: “Se tiver uma variável de ajuste, assim como na guerra, essa variável vai ser os juros, e não o câmbio. Commodities e contas externas se sobrepõem a outros fatores no caso do câmbio”, afirmou Pizzani. A fintech, que estreou na Nasdaq em janeiro, vem publicando análises macroeconômicas com frequência crescente desde o IPO.

O que observar

A reunião do Copom desta semana vai entregar duas informações: o tamanho do corte e o tom do comunicado. Um corte de 0,25 ponto percentual está precificado; o que ainda não está definido é se a autoridade mantém a “porta aberta” para junho ou sinaliza uma pausa. Um comunicado mais duro pode comprimir ainda mais as expectativas de corte e aproximar as projeções de mercado de uma Selic terminal acima de 13%.

Do lado do câmbio, a variável a monitorar é o ritmo de retirada de liquidez pelo Fed: se o novo presidente da autoridade monetária americana acelerar o “quantitative tightening” antes do segundo semestre, o fluxo financeiro para emergentes pode se deteriorar antes da janela sazonal adversa. Isso tornaria o cenário de R$ 5,35 em dezembro conservador, não arrojado.

Fontes: Valor EconômicoLet’s Money: Focus e SelicLet’s Money: PicPay Nasdaq

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