No Nordeste, o Pix por chave já lidera entre os meios de pagamento no varejo, com 67% de uso, à frente do cartão de crédito (56%). No Brasil como um todo, porém, o cartão segue em primeiro lugar, com os mesmos 56%, seguido pelo Pix por chave (51%), via QR Code (35%) e por aproximação (28%), segundo a Pesquisa Fiserv Insights 2026.
Uso de meios de pagamento no varejo brasileiro
| Modalidade |
Uso no Brasil |
| Cartão de crédito |
56% |
| Pix por chave |
51% |
| Pix via QR Code |
35% |
| Pix por aproximação |
28% |
Pesquisa Fiserv Insights 2026, em parceria com a Opinion Box, com 322 empresários de micro e pequenas empresas ouvidos entre setembro e outubro de 2025. No Nordeste, o Pix por chave chega a 67%, acima do cartão de crédito (56%). Fonte: Valor Econômico
O que ainda segura o cartão
Para a Fiserv, o cartão de crédito conserva vantagens competitivas que explicam a liderança no varejo brasileiro. “O crédito tem o benefício do parcelamento, da pontuação no programa de fidelidade, do pagamento no fechamento da fatura. São benefícios que, aos poucos, o Pix vem trazendo também”, afirmou Giuliana Cestaro, vice-presidente de produtos da Fiserv, ao Valor. O movimento de replicar esses diferenciais já começou: o Bradesco lançou um Pix parcelado fora do limite do cartão em janeiro, num movimento que testa a migração do parcelamento para o trilho do instantâneo.
A executiva avalia que o Pix deve conviver com o cartão, e não substituí-lo no curto prazo. “Acho que, aos poucos, ele [Pix] vai comer um pedacinho disso [cartão de crédito], mas dizer que vai acontecer como aconteceu com o débito, por exemplo, de ele chegar a ultrapassar, em um curto espaço de tempo, a gente não acredita”, disse Cestaro. Segundo ela, o Pix já ocupou boa parte do espaço do dinheiro em espécie, das transferências bancárias e do débito.
Pix por aproximação no radar
Lançada pelo Banco Central em fevereiro de 2025, a modalidade por aproximação é a aposta de crescimento mais citada pela Fiserv, beneficiada pela familiaridade do consumidor com pagamentos por contactless no cartão. Nos últimos meses, grandes bancos correram para habilitar a função nativamente no app: o Itaú ampliou o Pix por aproximação direto no app, sem depender de carteira digital de terceiros. A empresa de tecnologia de pagamentos que conduziu a pesquisa também opera no varejo brasileiro: a Clover, da Fiserv, levou o pagamento por rosto e palma da mão aos lojistas no mesmo período.
No recorte regional, o Pix por chave é o grande vetor de inclusão no Nordeste, onde o dado de 67% supera o uso de cartão de crédito. “Você entra numa parcela considerável de pessoas que não eram bancarizadas e passaram a ser por conta do Pix”, disse Cestaro. A pesquisa foi realizada pela Fiserv em parceria com a Opinion Box, com 322 empresários de micro e pequenas empresas ouvidos entre setembro e outubro de 2025.
O que observar
A disputa deixa de ser sobre qual meio domina o tíquete e passa a ser sobre quem captura o parcelamento. O diferencial histórico do cartão de crédito, crédito pré-aprovado diluído no tempo, começa a ser replicado no trilho instantâneo por instituições financeiras de grande porte, e a pergunta é quem absorve o custo: se o parcelamento no Pix migrar para modalidades tipo CDC embutido, adquirentes e credenciadoras perdem um pedaço relevante do MDR, enquanto bancos ganham camada de receita.
A outra frente é o gradiente regional. Onde a bancarização recente foi puxada pelo Pix, a substituição do cartão tende a ser mais rápida, porque o consumidor não carrega hábito prévio de crédito rotativo. Vale acompanhar se adquirentes que operam fortemente no Nordeste vão ajustar a composição de receita para depender menos do MDR de crédito e mais de antecipação, serviços de valor agregado e taxas de software. Se a tendência se confirmar em outras regiões, emissores e bandeiras precisam repensar o pacote de fidelidade como âncora de retenção, não como vantagem estrutural.
Fontes: Valor Econômico