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Pix chega aos EUA para brasileiros pagarem na Copa do Mundo

Fintechs como Brazil Pays, Braza Bank e Ruvo passaram a oferecer o Pix para turistas brasileiros pagarem hospedagem, carro e restaurante nos EUA na Copa.

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· 4 min

Atualizado em

Com a Copa do Mundo começando nesta quinta-feira e a maior parte dos jogos nos Estados Unidos, fintechs de câmbio passaram a oferecer o Pix como meio de pagamento para turistas brasileiros no exterior. Dá para pagar hospedagem, aluguel de carro, restaurante e serviços usando o saldo em reais, sem recorrer ao dólar turismo.

Como três fintechs levam o Pix aos EUA

Fintech Como o Pix entra
Brazil Pays Pix, cartão ou boleto; recebe em reais e liquida em dólares (223 lojas em 8 cidades dos EUA)
Braza Bank Checkout por QR Code, Pix direto da conta brasileira, com parcelamento em reais (cerca de 20 parceiros)
Ruvo Pix abre conta global em dólares digitais, gasta via cartão Visa

Como três fintechs conectam o Pix a pagamentos nos EUA. Fonte: Valor

Como o Pix atravessa a fronteira

A Brazil Pays conecta comerciantes nos EUA a consumidores brasileiros e atua como facilitadora de pagamentos: o estabelecimento oferece o Pix no momento da compra, a fintech recebe os recursos em reais, faz a operação cambial e liquida em dólares para o lojista. A empresa tem 223 estabelecimentos ativos em oito cidades americanas. Para a CEO e fundadora, Marina Alves, a vantagem é a previsibilidade. “O fato de comprar com a gente, primeiro, porque não é o dólar turismo”, disse. Os clientes vão de dentistas e médicos a lojas de eletrônicos, perfumarias e spas.

O Braza Bank, banco de câmbio, oferece um checkout internacional em que o cliente escaneia um QR Code e paga direto da conta bancária brasileira, com opção de parcelar em reais no cartão. A instituição tem cerca de 20 parceiros ativos no país. “Brasileiro tem em todos os lugares, brasileiro gosta de viajar, brasileiro se programa para fazer viagem”, afirmou a líder de câmbio, Taísa Bilecki. Já a Ruvo usa o Pix como porta de entrada para uma conta global em dólares digitais, que podem ser gastos por um cartão Visa, no mesmo terreno de outras fintechs de Pix internacional que entraram no câmbio com aval do BC. “Nós tornamos o Pix internacional. Você pode enviar um Pix e, imediatamente, transferir dólares para qualquer conta nos Estados Unidos ou gastar em dólares”, afirmou o cofundador e CEO, Alec Howard.

A demanda que as fintechs querem capturar

O mercado tem vento a favor. Segundo projeção do Escritório Nacional de Viagem e Turismo dos EUA (NTTO), o número de brasileiros visitando o país deve crescer 5,8% em 2026, impulsionado pela Copa, passando de 1,9 milhão em 2025 para pouco mais de 2 milhões neste ano. É essa base de viajantes que as soluções de internacionalização do Pix tentam capturar.

O movimento ganha força num momento em que o Pix está na mira dos EUA. O sistema é alvo de investigação do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que em decisão preliminar descreveu o instrumento criado pelo Banco Central como um “campeão nacional” favorecido pela autoridade em detrimento de empresas de pagamentos americanas. Quem está do outro lado vê o atributo oposto. Howard, que passou pela área de pagamentos da Uber antes de fundar a Ruvo, resume: “o Brasil está realmente à frente dos Estados Unidos na área de pagamentos”.

O que observar

A Copa funciona como um teste de estresse comercial para uma categoria que vinha crescendo de forma mais discreta: a do Pix como trilho de pagamento fora do Brasil. O ponto a acompanhar é se o pico de demanda de um evento pontual se converte em uso recorrente, ou se o turista volta ao cartão internacional assim que a competição termina. A resposta depende de quão transparente fica o custo cambial embutido para o consumidor, já que a promessa central dessas fintechs é justamente a previsibilidade do valor no momento da compra.

Para facilitadoras de pagamento e bancos de câmbio, o desafio operacional é de escala e liquidação: receber em reais, executar o câmbio e repassar em dólares ao comerciante exige fôlego de tesouraria quando o volume dispara. Vale observar também como o ambiente regulatório, dentro e fora do país, trata o uso do Pix em operações de varejo no exterior, um terreno ainda em definição que pode acelerar ou conter a adoção nos próximos meses.

Fontes: ValorAgência Brasil

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