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Pix na maquininha cresce 54% e débito recua 4% em 2025

Pesquisa da Febraban aponta 2,03 bilhões de transações Pix nas maquininhas em 2025. O crédito subiu 8% e o total de operações no ponto de venda avançou 3%.

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gustavomellossa / Shutterstock.com

O Pix na maquininha virou concorrente direto do cartão de débito. Nos pontos de venda, o sistema somou 2,03 bilhões de transações em 2025, alta de 54% em um ano, enquanto o débito recuou 4% e o crédito subiu 8%, aponta a 34ª edição da pesquisa de tecnologia bancária da Febraban, divulgada em junho de 2026.

Transações no ponto de venda (em milhões)

Meio de pagamento 2024 2025 Variação
Cartão de débito 15.472 14.871 -4%
Cartão de crédito 9.901 10.701 +8%
Pix 1.316 2.030 +54%
Total 26.689 27.602 +3%

Volume de transações efetuadas no ponto de venda, em milhões, amostra equalizada de 11 bancos. Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026. Fonte: Febraban

Como o Pix na maquininha passou a disputar o débito

O movimento se apoia em um hábito que já mudou no balcão. A aproximação respondeu por 49% dos pagamentos com débito na maquininha em 2025, contra 36% no ano anterior, enquanto a inserção física do plástico recuou de 59% para 42%, mostra o mesmo levantamento. No Pix, a versão por aproximação ainda não desenhou trajetória consistente de alta, avalia o Banco Central. Pesam contra a adesão o uso limitado a aparelhos Android, o baixo conhecimento da função entre consumidores e lojistas e a oferta rarefeita nos apps dos bancos. Em junho de 2026, o BC tirou o limite de R$ 500 do Pix por aproximação, com vigência a partir de 1º de outubro de 2026.

O tamanho da compra ajuda a localizar onde o embate é mais direto. Pelos dados citados pela diretora executiva da Zetta, Fernanda Garibaldi, diretora executiva da Zetta, associação que reúne empresas de serviços financeiros digitais, 71% das transações não alcançam R$ 100 e, entre o que vai de indivíduos para empresas, 76% ficam abaixo de R$ 60. É a faixa em que o débito sempre teve mais peso, num sistema desenhado para transferências entre pessoas: o Banco Central registra 85% das transações entre pessoas físicas em novembro de 2020 e, em 2025, 43% partindo de indivíduos para empresas.

A próxima disputa está nas contas que se repetem

Outra frente já se abriu nas despesas mensais. O Pix Automático deixa o cliente autorizar de antemão cobranças recorrentes de condomínios, academias, escolas, assinaturas de serviços e contas de consumo. Diferente do débito automático, preso a acordos bilaterais entre a empresa que cobra e cada banco, o recebedor chega ao cliente sem depender de onde ele mantém conta. Para o Banco Central, isso encolhe a vantagem de quem tem carteira grande de correntistas. Em dezembro de 2025, o serviço teve quase 600 mil operações e R$ 133,2 milhões em volume, cinco vezes o valor do mês anterior. O ritmo mudou desde então: o Let’s Money mostrou que o Pix Automático passou de R$ 1 bilhão por mês ao completar 1 ano.

A fronteira com o crédito é a menos nítida. Aceitação no exterior, prazo para pagar, programas de benefícios e parcelamento sem juros seguem diferenciando o cartão, sobretudo nas compras de valor mais alto. No Pix parcelado, quem financia o consumidor é a instituição financeira, e o lojista recebe à vista pelo próprio Pix. “A decisão passa a girar em torno da taxa oferecida na hora pelo banco, não mais do limite disponível”, afirma Garibaldi. Em julho de 2026, um estudo apontou que 74% dizem que o Pix parcelado destravou compra fora do cartão.

Para o lojista, a conta não para no custo por transação. Juliana Inhasz, professora de economia do Insper, avalia que receber na hora precisa ser lido dentro da gestão de caixa de cada negócio. “Há empresas que podem preferir fluxos de recebimento específicos em certos momentos para conseguir fazer uma gestão melhor”, diz. Nos canais digitais, onde o Pix é o principal meio de pagamento, foram 30,1 bilhões de pagamentos em 2025, 20% mais que no ano anterior.

O que observar

O movimento medido em 2025 está concentrado na compra de valor baixo. Se o pagamento por aproximação no Pix superar as travas de aparelho e de oferta nos aplicativos, a migração que hoje aparece no débito tende a ganhar velocidade. Vale acompanhar se adquirentes e emissores recompõem receita quando a operação de menor tíquete sai do trilho do cartão.

Na frente das cobranças mensais, o ativo que tende a perder valor é a base de correntistas, já que o recebedor alcança o pagador sem acordo com o banco dele. A pergunta é se instituições com grandes carteiras respondem com preço, prazo de liquidação ou serviços agregados. Para o comércio de menor porte, o teste é outro: receber na hora nem sempre é o melhor arranjo de caixa.

Fontes: Valor EconômicoFebrabanCNN Brasil

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