O Pix iniciado fora do aplicativo do banco cresceu mais de 8 vezes em 2025: foram 64,5 milhões de transações pelas APIs do Open Finance, contra 7,4 milhões no ano anterior. Somadas, essas operações moveram R$ 15,3 bilhões, quase cinco vezes o total de 2024, segundo o Banco Central.
Quatro anos de iniciação de pagamento no Pix
| Ano |
Transações |
Valor financeiro |
| 2022 |
0,64 milhão |
R$ 0,13 bilhão |
| 2023 |
2,39 milhões |
R$ 0,76 bilhão |
| 2024 |
7,4 milhões |
R$ 3,17 bilhões |
| 2025 |
64,5 milhões |
R$ 15,3 bilhões |
Transações Pix iniciadas por meio da iniciação de transação de pagamento, de 2022 a 2025. Fonte: Banco Central
O que destravou o Pix por Open Finance
A norma veio antes do salto. Em agosto de 2024, o BC publicou os requisitos para transações que dispensam a troca de aplicativo entre instituições diferentes; em junho de 2025, a iniciação por aproximação, apoiada nesse mesmo padrão, entrou no Regulamento do Pix. Em abril de 2026, o BC lançou a versão 7.0 do Open Finance, que reúne iniciação de pagamento e compartilhamento de dados em um fluxo só.
No relatório trienal do Pix, o regulador aponta de onde saiu boa parte desse volume: o crescimento “pode ser explicado pela entrada de um participante relevante e já consolidado no mercado, que passou a ofertar iniciação de transações Pix por meio de sua carteira digital”. A escala, ainda assim, é modesta diante do sistema inteiro: os 64,5 milhões equivalem a menos de 0,1% dos quase 80 bilhões de Pix registrados no ano.
A conversão ainda tropeça no redirecionamento
O ponto de perda tem endereço conhecido: a passagem obrigatória pelo app do banco para autorizar a ordem. Levantamento da consultoria Bain, reportado pelo Valor, mede conversão de 50% a 60% nesse desenho, contra 85% quando o pagamento se resolve dentro do próprio ambiente. Entre os usuários, 55% relatam erro ou indisponibilidade e 26% acham o processo complexo. “O redirecionamento é hoje a maior fonte isolada de quebra de jornada e de dor dos clientes”, afirma André Mello, sócio da prática de serviços financeiros da Bain & Company.
O setor trabalha para eliminar essa etapa. “A tendência é que as próprias instituições implementem a jornada sem redirecionamento”, afirma Jonatas Giovinazzo, presidente da Init, associação dos iniciadores criada em 2022, que credita a melhora recente da conversão à solução de gargalos técnicos numa rede com mais de 700 participantes. No varejo, o incentivo é de custo: para escapar das taxas de desconto cobradas nos cartões, as lojas oferecem desconto médio entre 4% e 5% em compras pagas no Pix, segundo a mesma consultoria.
Quem vende infraestrutura já empacota a jornada curta como produto. A Iniciador, que responde por um terço das iniciações de Pix por Open Finance no Brasil, levou ao iFood Pago um fluxo em que, depois do primeiro vínculo da conta, o pedido é confirmado por biometria; em maio de 2026, a empresa lançou um MCP para pagamentos agênticos no Pix. Já a Pluggy, que captou US$ 3,5 milhões para embarcar bancos em ERPs, mira conciliação e transferências automáticas entre contas do mesmo dono dentro de softwares de gestão. Em entrevista ao podcast Let’s Money em janeiro de 2026, Natália Cruz, head de Open Finance da Sensedia, já colocava a iniciação de pagamentos entre as tendências do ecossistema para o ano.
O que observar
O salto partiu de uma base pequena e apoiada em poucos ambientes de pagamento, o que torna a leitura de 2026 mais informativa que a de 2025. Se a jornada sem redirecionamento virar padrão entre bancos e carteiras digitais, o gargalo tende a migrar do login para pontos como cadastro e antifraude. Vale acompanhar se as queixas de erro recuam na mesma velocidade em que os iniciadores ganham volume.
Do lado do lojista, a pergunta é de margem: o abatimento oferecido no Pix só se sustenta enquanto compensar a taxa de desconto paga nos cartões, e esse cálculo muda de setor para setor.
Fontes: Valor Econômico • Banco Central • Let’s Money Podcast