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Pix deve dominar pauta do encontro Lula-Trump nesta quinta

Pix deve dominar a agenda Lula-Trump nesta quinta. Entenda por que o sistema virou alvo de investigação comercial dos EUA desde julho de 2025.

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Atualizado em

O encontro entre Lula e Trump na Casa Branca, nesta quinta (7), deve ter o Pix como tema central da agenda bilateral, segundo especialistas. O sistema de pagamento instantâneo do Banco Central entrou na mira americana após investigação aberta pelo USTR em julho de 2025 e relatório da Casa Branca de abril que apontou o Pix como barreira às operadoras de cartão americanas.

O Pix na investigação americana

Argumento dos EUA Contra-argumento do Brasil
Pix prejudica Visa e Mastercard Cartões cresceram desde o lançamento do Pix
Brasil favorece serviço estatal de pagamentos Empresas tiveram tempo para se adaptar e competir
Big techs americanas afetadas por regras de integração Pix avança por custo e experiência, não por privilégio regulatório

Posições da disputa comercial sobre o Pix. Fonte: G1 – Globo

A investigação americana e a concorrência com o Pix

O USTR abriu o processo com base na Seção 301 da lei comercial americana, citando “serviços de comércio digital e pagamento eletrônico” do governo brasileiro. “O Brasil parece se envolver em uma série de práticas desleais em relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”, disse o escritório do representante comercial dos EUA. Em abril, o relatório anual da Casa Branca incluiu o Pix como barreira comercial, ao registrar que stakeholders americanos temem tratamento preferencial do Banco Central ao sistema.

A disputa tem raízes na concorrência direta: o Pix é gratuito para pessoas físicas e tem baixo custo para empresas, enquanto operadoras de cartão dependem de tarifas sobre transações para sustentar seus modelos. Para Jorge Ferreira dos Santos Filho, economista e professor da ESPM, a tensão vai além das bandeiras tradicionais. “O sistema também compete com fintechs americanas. Enquanto nos EUA a regulação permite a cobrança por transferências instantâneas, no Brasil essas empresas são obrigadas a integrar o PIX para operar”, disse.

Pix Internacional e o pano de fundo do dólar

Especialistas apontam que a expansão do Pix Internacional e as discussões do BRICS sobre alternativas ao dólar aprofundam os receios americanos. O bloco avançou na criação do BRICS Pay, sistema que conecta o Pix brasileiro a infraestruturas de pagamento da Índia, da Rússia, da China e da África do Sul, operando sem conversão pelo dólar.

Ralf Germer, CEO da PagBrasil, contesta que o sistema represente concorrência desleal. “O Pix não foi criado para concorrer ou substituir outros meios de pagamento, como o cartão de crédito. Desde o lançamento do sistema, as demais formas de pagamento, especialmente os cartões, continuaram crescendo”, afirmou. “Além disso, houve tempo suficiente para que se adaptassem e desenvolvessem soluções capazes de competir com as vantagens do PIX, seja em custo, experiência do usuário ou do comércio”, acrescentou.

O que observar

A investigação Seção 301 tem peso prático: se o USTR concluir que há práticas discriminatórias, pode aplicar tarifas retaliatórias sobre exportações brasileiras, num momento em que o Brasil já acumula sobretaxas americanas em aço e alumínio. Vale acompanhar se o encontro desta quinta resulta em compromissos regulatórios concretos do Brasil, suspensão do processo ou escalada para medidas comerciais.

O risco de prazo mais longo está no Pix Internacional. A disseminação de sistemas de pagamento nacionais com capacidade de conexão bilateral, sem conversão dolarizada, é o que mais preocupa Washington em termos estratégicos, segundo especialistas. A pergunta que fica: o Brasil vai abrir espaço para operadoras internacionais no ecossistema do Pix, ou vai defender a arquitetura atual como soberania regulatória?

Fontes: G1 – GloboLet’s MoneyLet’s MoneyLet’s MoneyUSTR

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