A Pomelo contratou Abdul Assal, ex-Mastercard e ex-Santander, como diretor de cartão global. Segundo a fintech argentina, o executivo vai responder pela área de produtos globais e pela expansão das operações, numa fase em que a companhia quer emitir e entregar cartões em mais de 150 países.
Onde a Pomelo opera
| Frente |
Alcance |
| Licença própria |
Argentina, Brasil, México, Colômbia, Chile e Peru |
| Apenas tecnologia |
Países como Panamá e Porto Rico |
| Cartão global (1º produto da nova fase) |
Mais de 150 países |
| Trilhos locais |
Pix, no Brasil |
Presença operacional da Pomelo informada em agosto de 2026. Fonte: Valor Econômico
Do canal digital do Santander à Mastercard
Brasileiro de família libanesa, Assal começou a carreira como trainee no Carrefour e migrou para o Santander Brasil, onde passou a atuar com meios de pagamento na área de cartões. Foi lá que encabeçou a criação do primeiro canal digital do banco para cartões, no período em que as fintechs começaram a ganhar escala no mercado brasileiro. “Eu comecei esse movimento dentro do Santander e foi isso que me levou para Mastercard”, contou ao Valor Econômico. “Fui para Mastercard como a primeira pessoa no Brasil dedicada para fintechs e bancos digitais.”
Na Mastercard, passou a cobrir América Latina e Caribe com foco em fintechs e bancos digitais, escopo que incorporou o segmento de habilitadores tecnológicos, categoria em que a Pomelo se enquadra. Segundo o Fortuna, do grupo argentino Perfil, ele também foi country manager da Galileo, braço de infraestrutura de cartões da SoFi, para Brasil e Colômbia.
A nova fase de expansão da Pomelo
A posição era ocupada por Alfonso Torreguitar, que segue na empresa e passará a se dedicar à gestão de clientes. Antes, ele acumulava as duas funções. A Pomelo, que acaba de completar cinco anos, tem o cartão como principal negócio, mas também opera trilhos locais, como o Pix no Brasil. Em julho, a companhia levou o cartão em dólar e stablecoin a mais de 150 países, com liquidação em tempo real e sem exigir presença física em cada mercado.
O plano agora é entrar em países onde os clientes, principalmente bancos e fintechs, já estão presentes, começando pelo cartão. A empresa captou US$ 55 milhões em janeiro de 2026 para aprofundar emissão e processamento e ampliar o portfólio global. Segundo o Fortuna, o escopo de Assal reúne o cartão global, pagamentos agênticos, tokenização como serviço e gestão de chargebacks. Rivais também estão capitalizados: a Paymentology captou US$ 175 milhões em maio de 2026 e mira stablecoins e crédito. Para Assal, a solução foi “criada, desde o momento zero, para ser global”.
O que observar
O cargo dedicado ao cartão global separa duas atividades que estavam juntas: cuidar da base instalada e abrir mercados novos. Em habilitadores de emissão que nasceram regionais, essa divisão costuma aparecer quando a receita fora do país de origem deixa de ser exceção. Vale acompanhar se o volume processado no exterior passa a justificar time comercial local, ou se a emissão remota, sem entidade nem licença em cada mercado, sustenta a expansão sozinha.
A outra pergunta é operacional. Bancos e fintechs que contratam infraestrutura via API compram tanto o trilho internacional quanto o doméstico, como o Pix no Brasil. Se a demanda por cartão emitido fora do país crescer mais rápido que a integração aos trilhos locais, provedores com licença regional ganham argumento na negociação; se for o contrário, a disputa volta para preço e velocidade de integração.
Fontes: Valor Econômico • Fortuna • Pomelo