O Porto Bank, braço financeiro do Grupo Porto, viu o lucro recuar 32% no segundo trimestre de 2026, para R$ 137,8 milhões, pressionado por um ciclo de crédito mais adverso. As provisões para perdas subiram 67% em um ano, e a companhia elevou a projeção de perdas de 2026. O lucro consolidado do grupo, de R$ 889 milhões, ficou de pé graças ao seguro.
Resultado por vertical no 2T26
| Vertical |
Lucro líquido |
Variação anual |
| Porto Seguros |
R$ 455,8 mi |
+5% |
| Porto Saúde |
R$ 143,9 mi |
+36% |
| Porto Bank |
R$ 137,8 mi |
-32% |
| Porto Serviço |
R$ 50,2 mi |
+11% |
Resultado líquido recorrente por vertical do Grupo Porto no 2T26. Fonte: TI Inside
Como o crédito pesou no trimestre do Porto Bank
Do lado da receita, o banco foi bem: faturou R$ 1,9 bilhão no período, 17% a mais, com o consórcio na dianteira (mais 29%) e reforço em empréstimos, financiamento e cartão. A pressão veio do risco. As provisões para perdas chegaram a R$ 868 milhões, um salto de 67% em doze meses e de cerca de 19% sobre o trimestre imediatamente anterior. O atraso acima de 90 dias avançou para 9,4%, contra 8,2% três meses antes, e a rentabilidade do banco encolheu para 16,3%.
A Porto explica o número por dois fatores: um mercado de crédito que piorou e a opção de engordar provisões por precaução. Diante disso, elevou a projeção de perdas esperadas para 2026, de uma faixa de R$ 2,7 bilhões a R$ 3,1 bilhões para R$ 3,1 bilhões a R$ 3,5 bilhões. O ajuste acompanha um cenário em que a inadimplência do crédito segue perto de recordes no país. Analistas de casas como BTG Pactual e Santander apontaram a piora do crédito como o principal ponto de atenção do balanço.
Seguro e saúde sustentam o resultado do grupo
A Porto Seguros foi a locomotiva: sozinha respondeu por mais da metade do lucro recorrente, com R$ 455,8 milhões, alta de 5% na comparação anual. A vertical somou R$ 5,9 bilhões em receitas e prêmios, avanço de 8%, apoiada em ganhos operacionais e digitalização de jornadas. Em publicação no LinkedIn, Patrícia Chacon, que comanda a seguradora, afirmou que “o ROAE permaneceu acima do patamar de 30% pelo quinto trimestre consecutivo, atingindo 33% no 2T26”.
Fora dessas duas, a saúde entregou R$ 143,9 milhões, com salto de 36%, e a frente de serviços contribuiu com outros R$ 50,2 milhões. Somando tudo, o faturamento do grupo bateu R$ 11 bilhões no trimestre, 11% acima de um ano antes, e a rentabilidade consolidada ficou em 22,3%, na oitava leitura seguida acima de 20%. “O fechamento do 2T26 reflete a maneira como a nossa estratégia de diversificação […] é capaz de nos fazer crescer constantemente, inovar e absorver as mudanças de cenário”, afirmou Paulo Kakinoff, presidente do grupo.
O que observar
O trimestre expõe uma dinâmica que vale acompanhar em grupos que combinam seguro e crédito sob a mesma marca: quando o ciclo de crédito aperta, o braço bancário concentra a pressão, enquanto operações de seguro e saúde funcionam como amortecedor. A pergunta que fica é se a revisão para cima das perdas esperadas basta para acomodar o ciclo, ou se novas rodadas de provisão virão nos próximos trimestres. Vale observar também se a diversificação continua compensando: seguradoras com braço financeiro tendem a ter resiliência maior quando a inadimplência sobe, mas o custo é uma rentabilidade bancária mais volátil, que aparece justamente nos momentos de virada do ciclo.
Fontes: TI Inside • Times Brasil • Seu Dinheiro • Let’s Money • Let’s Money