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Ex-CEO da Galileo lança Primitive, IA para bancos regulados

Derek White, ex-CEO da Galileo, lança Primitive: sistema operacional para agentes de IA em bancos regulados, com parceria MX e seed do Fin Capital e Pelion.

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· 4 min

Atualizado em

Shutterstock

Derek White, ex-CEO da Galileo Financial Technologies e veterano de bancos digitais, lançou a Primitive, um sistema operacional desenhado para colocar agentes de IA em produção dentro de instituições financeiras reguladas. A startup saiu do zero com investimento seed de Fin Capital e Pelion Venture Partners.

Arquitetura da Primitive

Camada Função
Engine Room Conecta agentes, inclusive de terceiros, aos sistemas legados sem substituí-los
Assembler Leva um caso de uso a um agente em produção em até 90 dias
Control Tower Logs, tracing, validação independente de conformidade e métricas de performance

Templates prontos para crédito corporativo, human-in-the-loop, risco, deep research e supervisão regulatória. Fonte: PYMNTS

Quem é Derek White e por que o timing importa

White acumula uma trajetória rara no corredor que liga banco incumbente e infra-fintech. Foi chief digital officer no US Bank, liderou a vertical de Financial Services do Google Cloud e, mais recentemente, comandou a Galileo, o braço de infra de pagamentos e API da SoFi. A própria Galileo atende quatro players brasileiros em core banking (Banco Original, Banese, CSU Digital e Veloe) e mantém uma operação local de 80 pessoas sob liderança de Abdul Assal, ex-Mastercard que assumiu o Brasil em abril de 2024 e tem pelo menos dez empresas em negociação no país, incluindo um banco público. É dessa leitura de América Latina que White sai para fundar a Primitive.

A aposta agora é que o problema real dos bancos não é mais acesso a modelos, mas ter um trilho de execução que sobreviva a um auditor. A Primitive lança com um conjunto de templates de agentes prontos para crédito corporativo, operações com humano no loop, risco e compliance, deep research e supervisão regulatória.

A arquitetura separa execução, construção e governança

O Engine Room é o plano de dados: conecta agentes da própria Primitive ou de terceiros aos sistemas internos do banco sem exigir rip-and-replace. O Assembler é o plano de construção: pega um caso de uso (abertura de crédito, revisão de contrato, onboarding PJ) e entrega um agente pronto para produção em até 90 dias. O Control Tower é o plano de governança: grava tudo que o agente fez, rastreia o caminho de decisão e valida, de forma independente, se cada ação respeitou a política interna.

“O desafio não é acesso à IA. É integrar, governar e provar o retorno dela em escala corporativa. Tendo vivido esse problema dentro de algumas das maiores instituições financeiras do mundo, construímos a Primitive para dar aos líderes o controle e a clareza necessários para tirar a IA do piloto e levar ao núcleo do negócio, com agentes executando e humanos liderando”, afirmou Derek White, CEO da Primitive.

Parceria com MX Technologies amplia o alcance

Em paralelo ao lançamento, a Primitive firmou parceria estratégica com a MX Technologies, provedora de dados e software para mais de 1.700 bancos e cooperativas de crédito nos Estados Unidos. A dupla anunciou um Growth Agent nativo de IA, que promete transformar os dados enriquecidos da MX em ação autônoma: descobrir oportunidades de captação de depósitos, desenhar campanhas personalizadas e executá-las dentro do próprio trilho das instituições financeiras parceiras da MX. É a primeira aplicação concreta de um agente financeiro produtizado rodando em cima de um hub de data aggregation bancário.

A Primitive também entrou em programas de startup da Nvidia Inception, do Microsoft for Startups e do Google for Startups, garantindo acesso a créditos de GPU e suporte técnico nos três maiores provedores de infraestrutura de IA do mundo.

O que observar

O movimento da Primitive aponta para uma nova camada de infraestrutura de IA para bancos: não mais a camada de modelo (Anthropic, OpenAI, providers fechados) nem a camada de aplicação vertical (agentes específicos para tesouraria, crédito, onboarding), mas uma camada de orquestração e governança que senta no meio. O fornecedor que dominar essa camada intermediária vira o “Kubernetes dos agentes regulados” e captura margem sobre tudo que rodar em cima. Plataformas como essa já começaram a aparecer no Brasil, no mercado de agentic finance para tesouraria corporativa, e startups como a Round, que captou seed para agentes de tesouraria, miram o mesmo problema pela ponta da aplicação.

O teste é outro: a Primitive vende governança, e governança só vale se o regulador comprar. Vale acompanhar se o Control Tower vai ser adotado como evidência de conformidade por auditores e reguladores americanos, ou se será tratado como mais uma camada de log proprietário. Se operadores de infraestrutura, bancos médios e autoridades regulatórias convergirem em um padrão de atestação para agentes, a Primitive entra com vantagem. Se cada banco continuar construindo o próprio audit trail, a promessa vira mais um dashboard para o time de risco aprovar.

Fontes: FinextraPYMNTSFinsiders Brasil (Galileo no Brasil)

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