A Ramp, plataforma de operações financeiras dos Estados Unidos, está em conversas iniciais com investidores para levantar cerca de US$ 1 bilhão numa rodada que avaliaria a empresa em US$ 60 bilhões, segundo a Bloomberg. O valuation-alvo aparece três meses depois de a fintech atingir US$ 44 bilhões na Série F.
A escalada do valuation da Ramp
| Momento |
Valuation |
Captação |
| Novembro/2025 |
US$ 32 bi |
US$ 300 mi |
| Junho/2026 (Série F) |
US$ 44 bi |
US$ 750 mi |
| Rodada em negociação |
US$ 60 bi (alvo) |
~US$ 1 bi |
Valores em dólares. Fonte: PYMNTS
Três saltos de valuation em menos de um ano
As conversas ainda estão em andamento e os termos podem mudar, segundo a reportagem. Procurada, a Ramp não quis comentar. Se o valor se confirmar, será o terceiro salto de avaliação da empresa em menos de doze meses: em novembro de 2025, a fintech valia US$ 32 bilhões ao fechar uma rodada primária de US$ 300 milhões e uma oferta de recompra de ações de funcionários.
O ritmo aparece nos números que a companhia divulgou na Série F. A Ramp afirmou que o volume total de pagamentos (TPV) processado cresceu cerca de 170% ano a ano em março de 2026, a maior taxa em três anos, e que já havia levantado mais de US$ 3 bilhões em capital total. “As finanças estão passando pela maior mudança estrutural desde a planilha”, disse Eric Glyman, cofundador e CEO da Ramp, no comunicado da rodada.
A aposta em IA para sustentar o salto
Boa parte da narrativa de crescimento da Ramp está ancorada em inteligência artificial. Em agosto de 2026, a empresa lançou um roteador que escolhe qual modelo de IA usar em cada tarefa: usado internamente por três anos, o Router cortou os custos de IA em cerca de 30%, e clientes iniciais relataram economia média de 40%.
A ferramenta se soma a outros movimentos recentes voltados a controlar o gasto das empresas com IA e a um sistema para escritórios de contabilidade, o Ramp Stack, também apresentado em junho de 2026. Segundo dados da Bloomberg, a receita anualizada da companhia cruzou a marca de US$ 1,5 bilhão no início de junho de 2026.
O que observar
A distância entre o valuation da Série F e o alvo da nova rodada é o dado a acompanhar: um salto de US$ 44 bilhões para US$ 60 bilhões em três meses precisa ser sustentado por receita recorrente, não apenas por apetite de investidores. Vale observar se as métricas operacionais divulgadas na próxima captação, quando fechada, acompanham o crescimento do valuation ou se ampliam o descompasso entre avaliação e faturamento.
O pano de fundo é a corrida por plataformas de gestão financeira que embutem automação. A pergunta que fica é se investidores de venture continuarão precificando empresas do setor pela promessa de eficiência via IA, ou se passarão a exigir prova de que a economia de custo prometida vira margem. Para fintechs de gestão de gastos corporativos, o teste será mostrar que a adoção de IA gera receita incremental, e não só corte de despesa.
Fontes: PYMNTS • Yahoo Finance / Bloomberg • Let’s Money • Let’s Money