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IAIA · inteligência artificial

Receita Federal lança curador de IA para monitoramento

Receita Federal criou cargo inédito de Curador de IA Generativa para monitorar erros, vieses e alucinações. Política apresentada na ONU proíbe uso de dados tributários para treinar modelos comerciais.

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· 2 min

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Mehaniq / Shutterstock.com

A Receita Federal criou o cargo de Curador de Inteligência Artificial Generativa, função inédita no governo brasileiro responsável por monitorar erros, vieses e alucinações de sistemas de IA usados na administração tributária. A medida faz parte da Política de IA do órgão, apresentada na ONU em 27 de março.

Governança de IA da Receita Federal

Camada Responsabilidade
Curador de IA Generativa Monitorar erros, vieses e alucinações; avaliar qualidade e precisão das respostas
Unidade de negócio Avaliar impactos e riscos operacionais dos casos de uso
Área de TI Análise técnica e segurança da informação
Comitê de TI Deliberar sobre riscos éticos e estratégicos

Estrutura definida pela Portaria RFB nº 647/2026. Fonte: Receita Federal

Proibições e supervisão humana obrigatória

A Portaria RFB nº 647, publicada em 5 de fevereiro de 2026, disciplina uso, desenvolvimento, contratação, monitoramento e desativação de tecnologias de IA no órgão. A política estabelece que nenhum sistema de IA pode substituir, condicionar ou vincular decisões administrativas, cabendo ao servidor público revisar e validar resultados. O documento proíbe expressamente o uso de IA para manipulação subliminar, classificação social de cidadãos, vigilância em massa e o uso de dados tributários brasileiros para treinamento de modelos comerciais de terceiros.

“Toda e qualquer decisão permanece sob responsabilidade exclusiva do agente público”, define a norma. Na prática, o curador monitora respostas e resultados gerados por IA, verifica alucinações, vieses, anomalias e desvios de propósito, e adota medidas corretivas. O modelo inclui ainda um “fast track” para prototipagens de baixo risco, que podem avançar sem aprovação prévia do comitê superior. A política foi apresentada pelo subsecretário de Gestão Corporativa, Juliano Neves, no 2026 ECOSOC Special Meeting on International Cooperation in Tax Matters da ONU, em 27 de março.

O curador de IA no contexto da adoção financeira

A criação de uma função dedicada a curar outputs de IA generativa reflete um desafio que se estende ao setor financeiro privado. Instituições como o Agibank, que já resolve 70% dos atendimentos com agentes de IA, e a CloudWalk, que lançou uma IA multiagente para gestão financeira, operam com modelos que exigem camadas semelhantes de supervisão. A diferença é que, no caso da Receita Federal, os erros de um modelo podem afetar diretamente obrigações tributárias de milhões de contribuintes.

O que observar

A figura do curador de IA generativa é uma resposta operacional a um problema que órgãos fiscais no mundo inteiro enfrentam sem framework definido: como supervisionar sistemas probabilísticos que operam sobre dados sensíveis. Vale acompanhar se a estrutura de quatro camadas consegue escalar à medida que o volume de aplicações de IA cresce no órgão. O “fast track” para protótipos de baixo risco indica que a política foi desenhada para não travar inovação, mas o teste real será quando um erro de IA generativa impactar um processo tributário concreto, exigindo que as linhas de responsabilidade entre curador, área de negócio e comitê de TI funcionem na prática.

Fontes: Convergência DigitalReceita FederalReceita Federal (Portaria 647)

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