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Reino Unido: 65% dos adultos têm carteira digital

Registro em carteira digital no Reino Unido sobe de 57% para 65% dos adultos em 2025. Contactless chega a 39% dos pagamentos e dinheiro cai a 8%.

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Quase dois em cada três adultos do Reino Unido já estão registrados em algum serviço de pagamento por celular. A proporção subiu de 57% para 65% em um ano, segundo o relatório anual da UK Finance, e quem adere costuma virar usuário frequente.

Pagamentos no Reino Unido em 2025

Meio Volume e participação
Total de pagamentos 49,7 bi (alta de 2% em um ano)
Cartões 64% de todos os pagamentos
Contactless 19,2 bi (39% do total)
Faster Payments e banco remoto 6,2 bi (alta de 10%)
Dinheiro em espécie 3,9 bi (8% do total)

Relatório anual de pagamentos da UK Finance, dados de 2025. Fonte: Finextra

O celular tomando o lugar do cartão

O contactless respondeu por 19,2 bilhões de transações, ou 39% de tudo que foi pago no país. Uma década atrás, essa fatia era de 3%. O relatório aponta que o pagamento por aproximação feito pelo telefone vem substituindo o mesmo gesto feito com o cartão de plástico. Na prática, muda quem controla a experiência no ponto de venda, sem alterar o trilho por trás da transação.

O corte etário é o dado mais duro do levantamento: 89% dos britânicos entre 25 e 34 anos estão registrados em alguma carteira, contra 29% de quem tem mais de 65. O uso de banco remoto, por aplicativo, internet ou telefone, chegou a 91% dos adultos, ante 88% em 2024. Já os Faster Payments e outros pagamentos por banco remoto somaram 6,2 bilhões de transações, alta de 10% puxada principalmente por empresas, e viraram o segundo meio de pagamento mais usado no país, atrás só do cartão de débito.

O dinheiro em espécie caiu para 3,9 bilhões de pagamentos, de 4,3 bilhões no ano anterior. São 8% do total, contra 9% em 2024 e 45% em 2015, e um terço dos britânicos hoje usa cédula uma vez por mês ou menos. A projeção da entidade é que a cédula chegue a 4% dos pagamentos em 2035, cerca de 2 bilhões de transações.

“As tendências da última década estão cada vez mais estabelecidas. O uso de dinheiro está caindo, ainda que de forma mais gradual, e o crescimento de vários meios de pagamento está se estabilizando conforme o mercado amadurece”, disse Adrian Buckle, head de pesquisa da UK Finance, em tradução livre.

O retrato brasileiro é outro

No Brasil, o número comparável é bem menor, e mede coisa diferente. Pesquisa do Datafolha encomendada pela Abecs em junho de 2026 mostrou que a carteira digital ativa no celular chega a 26% dos donos de cartão, com 47% na faixa de 25 a 34 anos. O britânico responde sobre registro em um serviço; o brasileiro, sobre uso corrente. Mesmo com a ressalva metodológica, a distância no recorte jovem, 89% contra 47%, dá a medida do estágio de cada mercado. O cartão segue como base do consumo dos dois lados, com o setor brasileiro movimentando R$ 1,1 trilhão só no primeiro trimestre de 2026.

O que observar

A migração do contactless de plástico para telefone não muda o volume de transações, muda a camada que fica com o dado e com a régua de autenticação. Vale acompanhar se emissores e bandeiras conseguem preservar a relação com o portador quando o gesto de pagar passa a ser mediado por sistemas operacionais de terceiros, e o que isso faz com o custo de aquisição de novos clientes.

O outro ponto é o piso do dinheiro em espécie: a queda desacelerou, o que sugere um núcleo de uso que não migra por conveniência. Se isso se confirmar, o desafio de bancos, redes de saque e reguladores deixa de ser acompanhar a digitalização e passa a ser sustentar a infraestrutura física para uma base menor e mais concentrada em idosos e populações de baixa renda. No Brasil, onde os pagamentos instantâneos já ocuparam parte do espaço que a cédula deixou, a pergunta é se o mesmo piso vai aparecer, e em que patamar.

Fontes: FinextraLBC

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