Mais de quatro em cada cinco líderes do setor de pagamentos do Reino Unido apoiam o plano do governo para reconstruir a infraestrutura de pagamentos do país. Mas, só 29% se dizem muito confiantes em como ele vai funcionar, segundo pesquisa da CI&T com 350 líderes do setor.
A pesquisa da CI&T em números
| Resultado da pesquisa |
Parcela |
| Apoiam o plano do governo |
82% |
| Confiança entre executivos e lideranças |
95% |
| Muito confiantes na execução |
29% |
| Esperam falhas de comunicação |
349 de 350 |
Pesquisa da CI&T com 350 líderes de pagamentos do Reino Unido. Fonte: CI&T
Apoio amplo, confiança rasa na entrega
O alvo desse apoio é o National Payments Vision (a Visão Nacional de Pagamentos), plano que o Tesouro britânico publicou em novembro de 2024 para reduzir o congestionamento regulatório do setor e entregar um ecossistema de ponta apoiado em tecnologia de nova geração. Quase dois anos depois, o desenho da futura infraestrutura de pagamentos está em consulta pública, conduzida por um conselho presidido pelo Banco da Inglaterra, que se encerra nesta semana.
A pesquisa da CI&T, parceira de aceleração em tecnologia e inteligência artificial, mede o outro lado da reforma: a confiança na execução. O apoio ao plano chega a 82% do setor e sobe a 95% entre executivos e lideranças estratégicas, mas apenas 29% se dizem muito confiantes em como ele vai funcionar. E 349 dos 350 ouvidos esperam problemas de comunicação no programa. O roteiro de entrega e seus marcos lideram as preocupações, com 33%, seguidos pelo encaixe com outras regulações e pelas exigências de teste, migração e prontidão, ambos citados por 30%. “O Reino Unido chegou ao estágio da reforma de pagamentos em que a intenção precisa virar entrega”, disse Young Pham, chefe global de inteligência artificial para serviços financeiros da CI&T (Global Head of Financial Services AI).
A lição que o setor quer copiar do Pix
Diante da dúvida sobre a execução, o setor britânico aponta uma referência clara: quase todos veem lições para o Reino Unido no Pix, o sistema de pagamentos instantâneos que alcança cerca de 93% da população adulta do Brasil, segundo o levantamento. O que mais interessa aos entrevistados é como os participantes foram trazidos para o arranjo e como os problemas de implementação foram resolvidos ao longo do caminho, dois pontos em que o Pix brasileiro segue batendo recordes de uso. Não é a primeira vez que o modelo vira parâmetro fora do país: o Banco Central Europeu estuda conectar seu sistema instantâneo ao Pix.
A própria CI&T diz ter ajudado a implementar a infraestrutura do Pix em escala nacional no Brasil, além de atuar no Project Nemo, no Reino Unido. Talvez por isso a maioria dos ouvidos, e 98% entre os executivos, defenda que a modernização funcione sobre a infraestrutura que já serve o mercado britânico, em vez de uma substituição completa. Entre as medidas de continuidade, o teste robusto antes de qualquer mudança entrar no ar lidera, citado por 82%. No próprio Reino Unido, a maioria dos adultos já tem carteira digital.
O que observar
A distância entre apoiar um plano e confiar na sua execução recai sobre atores específicos. Operadores de infraestrutura, participantes do sistema de pagamentos e fornecedores de tecnologia terão de traduzir a ambição regulatória em migração, teste e prontidão, em prazos ainda pouco definidos. Vale acompanhar se a consulta pública em curso responde à principal cobrança do setor: um roteiro de entrega com marcos, responsabilidades e governança claros.
A preferência por modernizar sobre a base existente, em vez de substituí-la, sugere um mercado que quer inovar sem interromper o que já funciona. A pergunta é se os reguladores conseguem sustentar essa continuidade enquanto elevam competição e segurança. O próprio setor já indicou onde buscar respostas: a forma como o Pix trouxe participantes para dentro e resolveu problemas de implementação.
Fontes: Finextra • CI&T • GOV.UK