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Futuro do trabalhoFintech · Reino Unido

Revolut exige 3 dias no escritório para novos trainees

A partir de 2027, estagiários e trainees da Revolut terão de ir ao escritório ao menos três dias por semana. Remote-first segue para os demais.

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brunocoelho / Shutterstock.com

A Revolut, fintech britânica que avança sobre o mercado brasileiro, vai recuar em parte do modelo remote-first que ajudou a popularizar. A partir de 2027, estagiários e trainees contratados pela empresa terão de trabalhar ao menos três dias por semana no escritório. Para o restante dos cerca de 11 mil funcionários, o trabalho remoto segue inalterado.

O que muda no modelo de trabalho da Revolut

Grupo Regra de trabalho
Estagiários e trainees (turmas 2027) Híbrido: mínimo de 3 dias por semana no escritório
Demais funcionários Remote-first mantido, com até 120 dias por ano no exterior
Após o programa Trainees migram para contratos remote-first padrão

Política de trabalho da Revolut a partir de 2027. Fonte: Finextra

Por que a Revolut leva trainees de volta ao escritório

A mudança vale apenas para os programas de talentos de 2027. Em comunicado, a empresa afirmou que “os estágios iniciais de uma carreira se beneficiam da colaboração e mentoria presenciais” (em tradução livre), e que por isso todas as vagas de estágio e trainee passam a ser híbridas. Concluído o programa, esses profissionais migram para contratos remote-first padrão.

O recuo chama atenção porque a Revolut foi uma das vozes mais altas na defesa do trabalho remoto. Mesmo ao inaugurar a nova sede global em Canary Wharf, em Londres, no fim de 2025, o CEO Nik Storonsky escreveu a funcionários: “Nos importamos mais com o que você faz do que com onde você faz” (em tradução livre). A política para os demais quadros, incluindo os até 120 dias por ano de trabalho no exterior, não muda.

Uma fintech em expansão acelerada

O ajuste no modelo de trabalho acontece em meio a um momento de crescimento. A Revolut é avaliada pelo BTG como uma fintech que pode valer o dobro do Nubank e acelera a chegada ao Brasil, onde Paulo Guedes integra o conselho consultivo da operação local. No mesmo período, um dos cofundadores deixa o cargo de CTO em julho, em meio à reorganização da cúpula.

O que observar

O movimento levanta uma questão que vai além de uma empresa: até onde o modelo totalmente remoto sustenta a formação de quem está começando a carreira. Fintechs e scale-ups que construíram marca empregadora em cima da bandeira do trabalho remoto enfrentam um trade-off entre flexibilidade, que ajuda a atrair talento sênior distribuído globalmente, e a densidade de mentoria presencial, que tende a pesar mais nos primeiros anos de carreira.

Vale acompanhar se outras empresas de tecnologia que se posicionaram como remote-first vão adotar exceções semelhantes para programas de início de carreira, e se essa segmentação por senioridade vira padrão. A pergunta operacional é se um desenho híbrido apenas para trainees consegue preservar o discurso de flexibilidade sem criar duas culturas internas distintas dentro da mesma companhia.

Fontes: FinextraThe Irish Times

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