A Revolut anunciou na quinta-feira (11) a criação de seu conselho consultivo independente no Brasil, formado pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes, por Luiz Lobo e por Ana Novaes. O movimento formaliza a estrutura de governança da fintech britânica enquanto ela amadurece a operação local.
Quem senta no conselho consultivo
| Conselheiro |
Trajetória |
| Paulo Guedes |
Ex-ministro da Economia; macroeconomia global e mercados financeiros e de capitais |
| Luiz Lobo |
Governança, compliance e gestão de riscos; passagens por Deutsche Bank, BTG e Travelex |
| Ana Novaes |
Governança corporativa, regulação e infraestrutura; passagens por B3, FGC e CVM |
Composição do conselho consultivo da Revolut no Brasil. Fonte: Valor Econômico
Perfis voltados para regulação e risco
Segundo a Revolut, Guedes contribuirá com a experiência em macroeconomia global, mercados financeiros e de capitais e conhecimento do ambiente de negócios na América Latina. “Estou entusiasmado em contribuir para o fortalecimento institucional e a expansão sustentável da empresa”, afirmou o ex-ministro em nota. Luiz Lobo soma atuação em governança, compliance e gestão de riscos no sistema financeiro brasileiro, e Ana Novaes traz bagagem em governança corporativa, regulação e infraestrutura.
Governança antes da próxima fase
A composição do trio aponta para a agenda regulatória. Os três perfis concentram experiência em supervisão, compliance e infraestrutura de mercado, justamente as competências que pesam quando uma fintech, que mira uma licença bancária no Brasil, precisa convencer o regulador de que está pronta. A operação local, que segundo análise do BTG pode valer até duas vezes o Nubank, ganha agora uma camada institucional independente do time executivo.
“Estamos construindo uma operação de longo prazo no Brasil, alinhada aos mais altos padrões globais de governança e supervisão. A chegada de Paulo Guedes, Luiz Lobo e Ana Novaes fortalece significativamente nossas capacidades institucionais”, afirmou Glauber Mota, CEO da Revolut Brasil.
O que observar
Conselhos consultivos não têm o poder formal de um conselho de administração, mas funcionam como sinalização: dizem ao mercado e ao regulador qual padrão de governança a empresa pretende seguir. Quando uma fintech estrangeira recruta ex-autoridades e nomes com passagem por reguladores e infraestrutura de mercado, costuma estar preparando o terreno para um pleito mais ambicioso de licença. Vale acompanhar se a montagem da estrutura institucional se traduz em pedido formal ao Banco Central, e em que prazo.
O movimento também ilumina uma tendência: fintechs internacionais que querem escala no Brasil vêm tratando governança como ativo competitivo, não como custo de compliance. Se esse padrão se firmar, o teste será se o reforço institucional acelera de fato a autorização regulatória ou se apenas eleva o custo fixo da operação antes de a receita justificar o porte.
Fontes: Valor Econômico • Bloomberg Línea • InfoMoney