A Revolut inaugurou seu novo escritório em Matosinhos, na região do Porto, e anunciou investimento de pelo menos €30 milhões em Portugal até 2028, com criação mínima de 250 vagas, tornando o espaço um dos centros de vendas do segmento empresarial na Península Ibérica, ao lado de Barcelona e Madrid. “Muitos bancos tradicionais encaram o B2B como uma atividade secundária estagnada, mas nós estamos a torná-la uma prioridade para impulsionar o nosso crescimento e valorização”, afirmou Nik Storonsky, CEO e fundador da Revolut, em comunicado interno citado pelo portal.
Revolut Business: expansão em Portugal
| Item |
Dado |
| Investimento previsto |
Pelo menos €30 mi até 2028 |
| Novas vagas |
250 (mínimo) em vendas, marketing, operações e suporte |
| Escritório Matosinhos |
2 andares; 100 postos atuais |
| Clientes empresariais globais |
Mais de 800 mil |
| Receita Revolut Business 2025 |
~US$ 1 bilhão (+50% sobre 2024) |
| Participação na receita total |
16% (2025) |
| Clientes em Portugal (2025) |
+41% no ano |
Dados divulgados pela Revolut. Fonte: JornalPT50
B2B como motor da próxima fase de crescimento
A Revolut Business cresceu mais de 50% entre 2024 e 2025, chegando a cerca de US$ 1 bilhão em receitas e superando 800 mil clientes empresariais. O segmento respondeu por 16% da receita total do grupo em 2025, e Storonsky sinalizou aos colaboradores que esse é o principal vetor de crescimento para os próximos anos. A tese central é que bancos tradicionais subestimam o B2B, deixando espaço para que uma fintech com infraestrutura global e custos mais baixos ocupe a posição.
O movimento é consistente com os lançamentos recentes: a Revolut lançou o cartão corporativo premium Titan e vem ampliando soluções de adquirência e pagamentos para empresas em mercados como Austrália e Reino Unido. A escolha de Portugal como sede de um dos hubs de vendas ibéricos reflete tanto o crescimento local, com alta de 41% na base de clientes em 2025, quanto a adesão formal à Associação Portuguesa de Bancos, que sinaliza intenção de operar de forma mais integrada ao sistema financeiro local.
Porto como base para o sul da Europa
O escritório de dois andares em Matosinhos foi projetado para absorver crescimento rápido: conta hoje com 100 postos, com capacidade para expandir à medida que as equipes de vendas, marketing e operações forem contratadas. O hub vai complementar os centros já estabelecidos em Barcelona e Madrid, e as equipes locais devem apoiar clientes em múltiplos mercados onde a Revolut opera. “O talento, a mentalidade internacional e o ecossistema tecnológico em crescimento que encontramos aqui fazem do Porto o local natural para apoiar a próxima fase de crescimento da Revolut no sul da Europa”, afirmou Rúben Germano, diretor-geral da Revolut em Portugal.
Afonso Cabral Leitão, sales country manager para a Ibéria, acrescentou que “o Porto desempenhará um papel fundamental na expansão dessa ambição por toda a Europa”. A Revolut foi avaliada em US$ 75 bilhões em rodada de 2024, e o crescimento da operação europeia é apontado como um dos fatores que sustentam essa tese de valor. Para o mercado brasileiro, a empresa segue em processo separado: a Revolut mira licença bancária no Brasil, onde o segmento empresarial também seria um diferencial frente a incumbentes.
O que observar
A aposta em hubs físicos de vendas para o segmento empresarial em mercados do sul da Europa inverte a lógica usual de fintechs, que tendem a escalar com times remotos e baixo custo de estrutura. O sinal relevante é se a presença local se traduz em taxas de conversão e retenção superiores às de concorrentes que operam apenas de forma digital. O segundo ponto é regulatório: a adesão a uma associação de bancos e a construção de equipes locais em Portugal sinaliza interesse em aprofundar a relação com reguladores europeus, o que pode facilitar o passporting de produtos bancários pelo bloco.
Vale acompanhar se a participação do segmento empresarial na receita total avança dos 16% atuais à medida que o grupo prioriza esse vetor, e se a estratégia de hub regional se replica para outros países ou permanece concentrada na Península Ibérica.
Fontes: JornalPT50 • Let’s Money • Let’s Money