A Revolut planeja concentrar 40% da sua força de trabalho global na Índia até o final de 2026. A fintech europeia, avaliada em US$ 75 bilhões, pretende preencher 1.600 novas vagas no país neste ano, o que levaria o total de funcionários no centro de capacidades globais (GCC) indiano para 5.500, de um quadro global de 12 mil pessoas.
REVOLUT NA ÍNDIA: METAS ANUNCIADAS
| Métrica |
Valor |
| Quadro global atual |
12.000 funcionários |
| Meta Índia (fim 2026) |
5.500 (40% do global) |
| Novas vagas previstas 2026 |
1.600 posições |
| Investimento comprometido |
£500 milhões em 5 anos (US$ 669,8 mi) |
1/3 dos processos globais já rodam a partir da Índia
Fonte: Reuters
O que a Revolut pretende montar na Índia
As novas posições devem cobrir desenvolvimento de produto, processamento de pagamentos, investigação de fraudes e funções de suporte. “Nosso hub de tecnologia na Índia é central para nossa escala global. O calibre técnico, ambição e excelência que vemos aqui fazem da Índia um lar natural de longo prazo para a Revolut”, disse Jonathan Beaney, Head de Talent Acquisition da companhia, à Reuters.
Segundo Paroma Chatterjee, CEO da Revolut na Índia, cerca de um terço dos processos globais da fintech já rodam a partir do país, incluindo monitoramento de transações e alertas baseados em inteligência artificial. Em 2025, a Revolut comprometeu £500 milhões para a operação indiana ao longo de cinco anos. A empresa também está autorizada a emitir instrumentos de pagamento pré-pagos na Índia e planeja lançar seu produto no próximo trimestre.
Expansão global acelerada
O investimento planejado na Índia faz parte de uma ofensiva global da Revolut. Neste ano, a fintech lançou operações bancárias no Reino Unido, pediu licença bancária nos EUA e estreou como banco no México. No Brasil, a empresa mira licença junto ao Banco Central para operar como instituição financeira.
Em entrevista ao podcast Let’s Money durante o Fintouch 2023, Glauber Mota, então CEO da Revolut, detalhou a estratégia de expansão internacional da fintech e os planos para o Brasil.

O modelo de GCC na Índia é uma estratégia que grandes fintechs e bancos globais já adotam. A diferença da Revolut é a escala pretendida: 40% do quadro global em um único país concentraria risco operacional, mas também permitiria escalar com custo menor. Chatterjee destacou que melhorias em video KYC desenvolvidas na Índia já estão sendo transferidas para outros mercados.
O que observar
A Revolut aposta que a Índia pode funcionar como fábrica de produto, não apenas como centro de custo. Se o GCC entregar inovações exportáveis (como o video KYC), o modelo se justifica. Se ficar restrito a suporte e operações, vira dependência de arbitragem salarial, vulnerável à inflação de salários no setor tech indiano.
Para o Brasil, a questão é timing. A Revolut já sinalizou interesse em licença bancária, mas enquanto expande agressivamente em UK, EUA, México e Índia, o mercado brasileiro fica na fila. Vale acompanhar se a infraestrutura montada na Índia vai acelerar ou atrasar a chegada ao Brasil.
Fontes: Reuters (via RTE) • Let’s Money: Revolut lança banco no Reino Unido • Let’s Money: Revolut pede licença bancária nos EUA • Let’s Money Podcast: Glauber Mota, Revolut