A Revolut começou a liberar acesso ao seu app na Índia em um beta controlado e tem cerca de 450 mil indianos em lista de espera, segundo a TechCrunch. Alguns milhares já receberam acesso nas últimas semanas, em uma etapa de calibragem antes do lançamento aberto. A fintech britânica trabalha na entrada no país desde 2021.
O que o beta libera e o que ficou de fora
Os usuários do beta podem usar pagamentos via UPI, carteiras de e-money, cartões pré-pagos domésticos, cartões multimoeda, virtuais e descartáveis. As ofertas Lifestyle e RevPoints virão antes do lançamento aberto. Contas familiares e conjuntas, presentes em outros mercados, ficaram de fora porque exigem licença bancária local, que a Revolut não tem na Índia.
Em comunicado à TechCrunch, a empresa explicou o porquê do rollout limitado: “This is being done in order to gather feedback on core product functioning and enhance the overall customer experience and the value proposition before opening up the platform for a larger audience”, disse um porta-voz. A tradução prática: o time quer ajustar a proposta de valor antes de abrir para os 450 mil em fila e ao público geral.
Cinco anos de construção e a licença PPI da RBI
A Revolut hire Paroma Chatterjee em 2021 para liderar a operação local e, em 2022, adquiriu a Arvog Forex para reforçar presença regulatória. Em seguida, obteve da Reserve Bank of India a licença de prepaid payment instrument (PPI), que autoriza emitir cartões pré-pagos, sustentar carteiras digitais e integrar à rede UPI. A empresa já discute um IPO com valuation próximo de US$ 150 bilhões, segundo reportagens recentes.
Metas da Revolut para a Índia
| Indicador |
Volume |
Status |
| Lista de espera |
~450.000 |
Atual |
| Beta onboarded |
Alguns milhares |
Atual |
| Downloads acumulados na Índia |
~820.000 |
Sensor Tower |
| Meta de clientes até 2030 |
20 milhões |
Anunciada |
| Meta de transações até 2030 |
US$ 7 bilhões |
Anunciada |
| Público-alvo total declarado |
150 milhões |
Idade 25-45, digitalmente nativos |
Indicadores e metas da Revolut na Índia. Fonte: TechCrunch
Brasil é outro vetor de crescimento em mercados emergentes
Os downloads do app da Revolut no Brasil saltaram 487% em 2025, alcançando 1,8 milhão, segundo estimativas da Sensor Tower citadas pela TechCrunch. Tailândia subiu 40% e Vietnã 52% no mesmo período. Os maiores mercados de download seguem na Europa (França, Reino Unido, Espanha, Itália e Alemanha), mas o mix está se inclinando para emergentes. No Brasil, a empresa vem ampliando recursos como assistente de IA para gestão financeira por conversa.
Concorrência indiana e o cenário UPI
O UPI processou um recorde de 23,2 bilhões de transações em maio, equivalente a cerca de US$ 313,8 bilhões, segundo dados oficiais. O sistema responde por quase metade do volume global de pagamentos em tempo real. A Revolut entra em um mercado com Google Pay e PhonePe dominando o varejo e Amazon e Meta tentando furar esse duopólio, sem contar dezenas de fintechs locais.
O que observar
O caminho da Revolut na Índia testa um modelo: entrar via PPI e pagamentos básicos antes de uma licença bancária completa, e usar UPI como rampa de adoção em vez de competir com produtos de crédito. Se o beta consolidar uso recorrente entre os primeiros milhares, a hipótese de fintechs globais escalarem em mercados de instant payments sem virar bancos locais ganha tração. Reguladores em economias emergentes vão ler o caso indiano para calibrar abertura a estrangeiros sem licença bancária plena. Para concorrentes globais com ambição em emergentes, o ritmo dos primeiros 12 meses do beta é o sinal real sobre o tamanho viável dessa via de entrada.
Fontes: TechCrunch • Revolut Newsroom • Elets BFSI • The Paypers