A Revolut lançou o AIR (AI by Revolut), um assistente de inteligência artificial integrado ao app que permite aos clientes gerenciar finanças, rastrear investimentos e controlar assinaturas por conversa em linguagem natural. O recurso começa a ser liberado para clientes no Reino Unido, com expansão gradual para outros mercados ainda sem datas definidas. A Revolut já opera no Brasil como Sociedade de Crédito Direto.
IA nos neobanks: Revolut AIR vs. Starling Assistant
| Recurso |
Revolut AIR |
Starling Assistant |
| Lançamento |
Abril/2026 |
Março/2026 |
| Motor de IA |
Não divulgado |
Google Gemini |
| Funções |
Gastos, investimentos, assinaturas, cartão, eSIM |
Metas, quiz de gastos, voz, pagamentos |
| Dados de treino |
Não usa para modelos externos |
Não usa para modelos externos |
Comparativo baseado em anúncios oficiais. Fontes: Trending Topics, Starling Bank
O que o AIR faz na prática
O assistente é ativado ao deslizar para baixo na tela inicial do app ou pelo menu de perfil. Por conversa em texto, o usuário pode pedir análises de gastos, acompanhar carteiras de investimento, gerenciar assinaturas e até bloquear um cartão perdido. O AIR também ajuda no planejamento de viagens, incluindo a compra de eSIMs diretamente pelo chat.
“Acreditamos que a era de navegar por abas e menus intermináveis acabou. Com o AIR, estamos entregando um novo nível de inteligência financeira”, disse Julia Ponomareva, diretora de experiência do cliente e produtos de IA da Revolut. A fintech não revelou qual modelo de IA alimenta o assistente, mas garantiu que nenhum dado pessoal é armazenado por terceiros ou usado para treinar modelos externos.
Corrida de IA entre neobanks e o contexto brasileiro
O AIR chega três semanas depois de a rival britânica Starling Bank lançar seu próprio assistente, construído sobre o Google Gemini. Barclays, NatWest, HSBC e Lloyds também investem em parcerias de IA. A tendência aponta para um modelo de “finanças autônomas”, em que a IA não apenas responde perguntas, mas executa ações dentro do app.
Para o Brasil, o movimento é relevante. A Revolut, avaliada em US$ 75 bilhões, lucrou US$ 2,3 bilhões em 2025 e mira a licença de banco múltiplo no país, onde opera como Sociedade de Crédito Direto. A fintech lançou recentemente seu banco no Reino Unido após anos de mobilização regulatória. O CEO da operação brasileira, Glauber Mota, já sinalizou que o plano é evoluir de conta internacional para plataforma financeira completa. Em entrevista ao podcast Let’s Money durante o Fintouch 2023, Mota revelou que “seria muito ingênuo achar que uma marca desconhecida ia chegar aqui no Brasil e dominar o mercado de produto local”, defendendo uma expansão sequencial por nicho. Se o AIR chegar ao Brasil, a Revolut adicionaria uma camada de diferenciação sobre os produtos locais que ainda não oferecem assistentes conversacionais comparáveis.
O que observar
O teste real do AIR não é a interface, é a profundidade. Assistentes financeiros de IA que apenas replicam informações disponíveis em dashboards tradicionais tendem a perder engajamento rapidamente. A diferenciação virá de ações executáveis: mover dinheiro, renegociar assinaturas, otimizar câmbio. Neobanks que conseguirem transformar o assistente em copiloto financeiro com autonomia real de execução capturam um nível de lock-in difícil de replicar por bancos tradicionais, que operam com stacks legadas e ciclos de aprovação mais longos.
Fontes: Finextra • Trending Topics • Seu Dinheiro • Let’s Money Podcast