A fintech britânica Revolut foi avaliada em US$ 115 bilhões em uma oferta secundária de ações, segundo informações obtidas pela Bloomberg. Com isso, a companhia, que opera em 30 países, alcançou um valuation 64,1% superior ao do Nubank. Em novembro de 2025, a fintech havia sido avaliada em US$ 75 bilhões.
Revolut e Nubank frente a frente
| Indicador |
Revolut |
Nubank |
| Avaliação |
US$ 115 bi |
US$ 70,09 bi (mercado) |
| Clientes |
75 milhões |
mais de 135 milhões |
| Países |
30 |
3 |
Revolut e Nubank: avaliação, clientes e mercados. Fonte: Valor Econômico
Um salto de valuation em menos de um ano
Segundo as informações da Bloomberg, a ação da companhia foi precificada a US$ 2.017, e o CEO e fundador, Nik Storonsky, disse que tem atraído “demanda significativa” dos investidores. Procurada, a Revolut afirmou que só vai se manifestar quando a oferta for concluída. “Podemos confirmar que está em andamento um processo de venda secundária de ações. Como é prática padrão, não comentaremos os detalhes enquanto o processo estiver em andamento. Forneceremos uma atualização quando ele for concluído.”
O movimento vem em meio a uma sequência de decisões de expansão da fintech, que recentemente levou um ex-JP Morgan para comandar seu banco na Europa.
Distância para o Nubank
Com o novo valuation, a Revolut abriu uma boa distância em relação ao Nubank, que também tem ambição de ser um banco digital global, mas só opera em três países por enquanto. Nesta quinta-feira (23), o banco brasileiro tinha valor de mercado de US$ 70,09 bilhões considerando o preço de suas ações negociadas na Bolsa de Nova York. Ainda assim, o Nubank avança na expansão internacional, com aval recente para virar banco no México.
Apesar de atuar em menos mercados, o Nubank tem mais de 135 milhões de clientes, contra 75 milhões da Revolut. A diferença ilustra dois caminhos distintos: escala de base em poucos países contra presença espalhada em muitos mercados.
A meta dos 100
A meta da fintech britânica é chegar a 100 milhões de clientes, em 100 países, com receita anual de US$ 100 bilhões. Nessa toada, a empresa vem abrindo frentes novas: já acumula fila de espera na África do Sul e, no Brasil, ligou seu programa de pontos a Latam Pass e Smiles.
O que observar
O caso mostra o mercado privado precificando ambição de alcance global acima da base de clientes já consolidada. Vale acompanhar se avaliações obtidas em vendas secundárias entre investidores e funcionários se sustentam quando fintechs desse porte se aproximam de mercados públicos, onde o valor é reprecificado diariamente. A pergunta de fundo é qual métrica pesa mais na conta: número de clientes, receita por cliente ou número de países atendidos.
Fontes: Valor Econômico • Let’s Money