A Ripple recebeu aprovação preliminar para sua licença de prestadora de serviços de criptoativos (CASP) na União Europeia, sob a regulação MiCA. Para a empresa, que aponta o Brasil como seu maior mercado de stablecoin e já pediu licença ao Banco Central, é mais um passo na corrida regulatória global.
A jogada regulatória da Ripple na UE
| Item |
Status |
| Licença CASP (criptoativos) |
aval preliminar da CSSF (Luxemburgo) |
| Licença EMI (moeda eletrônica) |
já em posse da Ripple |
| O que destrava |
acesso de bancos e fintechs da UE por integração única |
| Prazo de conformidade MiCA |
cerca de uma semana |
| Implementação plena |
agosto de 2026 |
Estrutura da aprovação da Ripple na UE sob a MiCA. Fonte: PYMNTS
Duas licenças, uma integração
O aval preliminar veio da CSSF, o regulador financeiro de Luxemburgo. Quando a aprovação for plena, a licença CASP somada à licença EMI que a Ripple já detém tornará a empresa totalmente compatível com a MiCA. Na prática, bancos, fintechs e corporações europeias poderão acessar a infraestrutura de criptoativos e pagamentos em stablecoin da Ripple por uma única integração, pela primeira vez. O movimento ocorre a cerca de uma semana do prazo de conformidade com a MiCA, cuja implementação plena está prevista para agosto.
“A MiCA ajudou a destravar uma nova onda de adoção institucional de ativos digitais, e estamos vendo essa demanda acelerar pela região”, disse Cassie Craddock, diretora-geral da Ripple para Reino Unido e Europa, em tradução livre. Outras empresas seguem a mesma rota: a B2C2 obteve licença MiCA para operar cripto em toda a UE recentemente.
Brasil no centro da estratégia
Enquanto avança na Europa, a Ripple trata o Brasil como mercado prioritário. A empresa expandiu a operação local e pediu licença de prestadora de serviços de ativos virtuais ao Banco Central, num momento em que novas regras classificam transações com stablecoin como operações de câmbio. A Ripple também acelerou no exterior em outras frentes, como a compra de fatia da Flutterwave em rodada de US$ 3,25 bilhões, sinal de uma estratégia de expansão por aquisições e licenças em paralelo.
Segundo o relatório da PYMNTS, o objetivo da MiCA não é criar uma economia cripto, mas um sistema financeiro digital regulado em que o blockchain seja apenas mais uma peça de infraestrutura, possivelmente invisível para o usuário final. A leitura é que, com a regra, consumidores e empresas deixam de se importar se um pagamento corre por rede de cartão, trilho bancário ou blockchain, desde que seja rápido, barato e seguro.
O que observar
O ponto a acompanhar é como a conformidade plena com a MiCA redesenha a disputa por infraestrutura de pagamentos transfronteiriços. Para provedores de criptoativos e emissores de stablecoin, a licença única europeia reduz o custo de operar país a país e pode atrair bancos que antes evitavam o risco regulatório. No Brasil, onde reguladores passaram a enquadrar stablecoin como câmbio, vale observar se a referência europeia acelera a definição de regras locais e se instituições financeiras tradicionais passam a tratar trilhos em blockchain como alternativa de liquidação, e não mais como experimento.
Fontes: PYMNTS • Let’s Money • Let’s Money • Let’s Money